22.8 C
São Paulo
quinta-feira, agosto 27, 2026

Adeus às celas? “Prisão do futuro” usa IA para criar memórias artificiais e substituir anos de cadeia

Leia mais

Uma proposta de prisão apresentada pelo cineasta e divulgador científico Hashem Al-Ghaili prevê o uso de inteligência artificial para alterar memórias de criminosos e fazer com que uma pena de anos ou décadas seja vivenciada em poucos minutos. O conceito, chamado Cognify, foi apresentado em um curta-metragem compartilhado nas redes sociais e prevê cápsulas nas quais detentos receberiam conteúdos produzidos por IA para simular experiências relacionadas aos crimes cometidos.

A ideia não corresponde a uma tecnologia disponível atualmente. O próprio projeto é apresentado como especulativo, embora tenha sido inspirado em pesquisas científicas que já conseguiram manipular memórias em animais e estudar formas de transferência de informações entre organismos.

++ Mãe e filho ficam 10 dias perdidos em mata e tomam atitude extrema para sobreviver

Segundo a proposta, o processo começaria com uma tomografia cerebral de alta resolução. O exame seria usado para criar um mapa da estrutura cerebral do indivíduo e determinar onde as chamadas memórias artificiais seriam inseridas.

Um criminoso condenado por violência, por exemplo, poderia receber uma experiência na qual vivenciaria o próprio crime a partir da perspectiva da vítima. Em casos relacionados a drogas, o sistema poderia produzir memórias destinadas a simular dificuldades relacionadas ao vício e à recuperação.

A proposta também prevê a manipulação de neurotransmissores e hormônios para provocar estados emocionais associados ao remorso e ao arrependimento.

A diferença em relação a uma prisão convencional estaria principalmente na percepção do tempo. O procedimento poderia durar apenas alguns minutos no mundo real, enquanto o detento teria a sensação de ter passado anos vivenciando uma pena construída especificamente para seu perfil psicológico.

++ Ele nadou mais de 500 km por um dos rios mais poluídos do mundo; veja o motivo

Apesar da aparência de ficção científica, o conceito foi associado a experimentos que já foram realizados em laboratórios. Pesquisadores conseguiram implantar memórias falsas em ratos e modificar memórias relacionadas ao medo.

Também houve estudos envolvendo a transferência de uma memória de um caracol marinho para outro. Outra pesquisa conseguiu codificar um trecho de filme no DNA da bactéria E. coli. Esses trabalhos são apresentados como parte da inspiração científica para o conceito do Cognify. A proposta também utiliza avanços recentes em inteligência artificial, incluindo sistemas capazes de gerar conteúdos a partir de comandos de texto.

Para colocar a ideia em prática, seria necessário lidar com questões relacionadas à privacidade dos dados cerebrais, ao consentimento e aos possíveis efeitos psicológicos da alteração de memórias.

O próprio Hashem Al-Ghaili reconhece essas preocupações. “Há preocupações com o consentimento, a privacidade e o potencial de consequências psicológicas não intencionais decorrentes da alteração de memórias, mesmo que sejam artificiais”, disse à Dazed. Ele também afirmou: “Implantar memórias artificiais também levanta questões sobre a autenticidade do eu”.

O projeto prevê ainda que os dados cerebrais dos detentos sejam enviados para um sistema central destinado à pesquisa científica e ao estudo da mente criminosa.

++ Homem ‘magnético’ descobre poder incomum aos 60 anos e passa a carregar 36 kg de metal no corpo

Hashem Al-Ghaili afirma que o Cognify surgiu a partir de críticas às limitações do sistema de justiça criminal, como prisões injustas, superlotação e dificuldades de reabilitação.

Segundo a proposta, a tecnologia poderia reduzir custos, acelerar a reintegração dos condenados e diminuir a reincidência. Al-Ghaili também defende que a ideia seja analisada sem partir de comparações com obras distópicas.

“Não acho que faça sentido basear os resultados de qualquer tecnologia em tramas distópicas. Claro, precisamos ser cautelosos, mas também precisamos dar à tecnologia uma chance de melhorar nossas vidas”, afirmou.

Sobre o risco de a tecnologia ser usada para manipular pessoas, ele declarou: “É muito improvável que ocorra lavagem cerebral usando o Cognify se essa tecnologia for totalmente protegida para que não caia em mãos erradas”.

Ainda de acordo com o material apresentado, a implementação do sistema exigiria pesquisas extensas para garantir que a tecnologia fosse segura e livre de erros. Por enquanto, o Cognify permanece como uma proposta especulativa de uma possível alternativa ao modelo tradicional de encarceramento.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias