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sábado, setembro 12, 2026

Nova tecnologia da USP repigmenta pele com vitiligo em 15 dias

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Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma tecnologia experimental que promoveu a repigmentação da pele de camundongos com vitiligo após 15 dias de tratamento. A pesquisa, realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), utiliza nanopartículas para transportar uma combinação de piperina e moléculas de RNA diretamente à pele.

O estudo integra o doutorado da farmacêutica Ana Vitória Pupo Silvestrini, sob orientação da professora Maria Vitória Lopes Badra Bentley. Os resultados dos testes em animais ainda não foram publicados em artigo científico, e a tecnologia não está disponível para pacientes. A equipe pretende avançar para pesquisas com seres humanos.

O vitiligo é uma doença autoimune que afeta entre 0,5% e 2% da população mundial, o equivalente a cerca de 95 milhões de pessoas. A condição ocorre quando o sistema imunológico ataca os melanócitos, células responsáveis pela produção da pigmentação da pele.

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A proposta dos pesquisadores é atuar simultaneamente em diferentes mecanismos relacionados ao vitiligo. As nanopartículas desenvolvidas pela equipe carregam RNAs de silenciamento, moléculas que reduzem a atividade de alvos envolvidos na resposta imunológica associada à destruição dos melanócitos.

O sistema também transporta piperina, substância relacionada ao estímulo da produção de melanina. As nanopartículas funcionam como um veículo para levar os componentes até a pele, já que os RNAs aplicados isoladamente encontram dificuldades para atravessar essa barreira e podem ser degradados rapidamente.

Para avaliar a tecnologia, os pesquisadores induziram vitiligo nos camundongos e, posteriormente, administraram as nanopartículas durante 15 dias consecutivos.

De acordo com a USP, os testes indicaram redução da resposta imunológica responsável pelo ataque aos melanócitos, restauração de mecanismos de autorregulação e repigmentação da pele dos animais.

Apesar dos resultados, a pesquisa ainda está em fase experimental. A professora Maria Vitória Bentley destacou ao Jornal da USP que a resposta observada em camundongos pode não ser reproduzida em seres humanos. O próximo objetivo da equipe é avaliar a tecnologia em testes com pessoas.

A pesquisa também é alvo de um pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

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Além de desenvolver uma possível nova abordagem para o vitiligo, a equipe pretende que a tecnologia tenha custo acessível caso futuramente seja considerada segura e eficaz para pacientes.

Segundo Maria Vitória Bentley, a base utilizada na fabricação das nanopartículas tem custo relativamente baixo, enquanto a piperina usada no tratamento é sintética. O componente que representa maior custo atualmente são os RNAs de silenciamento.

Em maio de 2026, a equipe publicou uma revisão científica na revista Clinical Reviews in Allergy & Immunology sobre novas estratégias para o tratamento do vitiligo. O trabalho reúne abordagens que envolvem nanotecnologia, modulação do sistema imunológico e estímulo à regeneração dos melanócitos.

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