Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, ficou tetraplégico aos 23, após um acidente de carro em 2018, e posteriormente recuperou os movimentos depois de receber a polilaminina, substância experimental desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O brasileiro agora cobra agilidade na realização dos estudos clínicos, diante das novas regras para o uso compassivo da substância.
O acidente aconteceu durante uma viagem entre São Paulo e Teresópolis, no Rio de Janeiro. Bruno dormia no banco traseiro do carro da família quando o veículo capotou. A lesão atingiu a região cervical da medula e provocou a perda dos movimentos dos braços e das pernas.
Menos de 24 horas depois do trauma, ele recebeu a polilaminina em caráter experimental. Com o passar do tempo, recuperou os movimentos e atualmente consegue andar, trabalhar e fazer exercícios. O caso é apontado como o mais expressivo entre os participantes do primeiro estudo piloto realizado com seres humanos. “Eu tive a oportunidade de voltar a ser uma pessoa ativa, independente”, contou Bruno durante uma audiência no Senado.
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Segundo as informações apresentadas por Bruno, o uso compassivo da polilaminina anteriormente era admitido para lesões completas em um período de até 90 dias. Em 14 de abril, porém, a Anvisa determinou novos critérios, passando a aceitar o uso compassivo para casos de lesão torácica entre T2 e T10, desde que a aplicação ocorra em até 72 horas após o trauma.
Neste mês, ainda de acordo com o relato, a agência passou a negar o uso compassivo para pacientes que não se enquadram nesse período de 72 horas.
Bruno afirma que, pelas novas condições, pessoas com lesões cervicais, como a que ele sofreu, não seriam contempladas. “Quem teve lesão cervical, quem descobriu que isso existe no quarto dia fica de fora. Se o meu acidente acontecesse hoje, eu ficaria de fora”, desabafou.
A mudança ocorre enquanto o estudo clínico da polilaminina ainda não iniciou o recrutamento de participantes. A Anvisa autorizou, em 5 de janeiro de 2026, a realização da fase 1 da pesquisa, que prevê a inclusão de cinco pacientes entre 18 e 70 anos. Os participantes devem ter lesões agudas e completas da medula torácica, entre T2 e T10, indicação cirúrgica e possibilidade de receber a substância em até 72 horas após o trauma.
O objetivo da primeira fase é avaliar a segurança do tratamento experimental.
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O brasileiro afirma estar frustrado com a demora para a inclusão dos primeiros participantes. “A fase 1 do estudo clínico da polilaminina foi aprovada pela Anvisa em janeiro. Estamos quase em setembro e até agora nenhum paciente foi captado”, disse.
O registro público da pesquisa no ClinicalTrials.gov aparece com o status “not yet recruiting”, ou “ainda não recrutando”. A última atualização indicada no registro ocorreu em 3 de fevereiro.
Apesar da cobrança, Bruno ressalta que não defende a disponibilização da polilaminina sem que sejam cumpridas as etapas necessárias para comprovar sua segurança e eficácia. Para ele, a realização do estudo é justamente o caminho para que a substância possa ser avaliada. “O estudo precisa acontecer. É ele que vai trazer a comprovação, é ele que vai permitir que um dia isso chegue a todo mundo do jeito certo”, afirmou.
Em outro momento, resumiu a reivindicação: “Não é para atrasar, é para avançar”.
A polilaminina permanece, portanto, como um tratamento experimental, enquanto o estudo clínico de fase 1 aguarda o início do recrutamento dos participantes previstos.



