O nadador britânico-sul-africano Lewis Pugh percorreu mais de 500 quilômetros a nado pelo rio Hudson, nos Estados Unidos, ao longo de 32 dias. A jornada começou na nascente do rio, nas Montanhas Adirondack, no norte do estado de Nova York, e terminou na foz, entre Manhattan e Nova Jersey, com o objetivo de destacar a importância da preservação dos rios e de seus afluentes.
Durante o percurso, Pugh foi acompanhado em diferentes trechos por pessoas de várias idades. A travessia ocorreu às vésperas da semana da Assembleia Geral das Nações Unidas, período em que começaria a assinatura do Tratado do Alto Mar.
A escolha do Hudson também está relacionada à transformação pela qual o rio passou. Segundo as informações fornecidas, há cerca de cinco décadas, nadar em suas águas, então consideradas entre as mais poluídas do mundo, era visto como algo impensável. Os esforços das autoridades para recuperar o rio começaram na década de 1970.
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Ao longo da jornada, Pugh encontrou pessoas que recordaram o período em que a água do Hudson apresentava diferentes colorações de acordo com os materiais despejados no rio. A ação buscou chamar atenção para a necessidade de manter os rios em condições adequadas para a fauna, a flora, a pesca e o consumo seguro de peixes.
A iniciativa também foi apresentada como parte de um esforço mais amplo para discutir a recuperação de rios em diferentes regiões do mundo. Pugh pretende levar a mensagem para países da Ásia, África, América do Sul e Europa, tendo como referência o processo de recuperação do Hudson.
Para Carlos Manuel Rodríguez, presidente do Global Environment Facility (GEF), organização que atua em 150 países, a recuperação ambiental também depende de mudanças nos padrões de consumo e nos sistemas de produção.
Entre os problemas que precisam ser enfrentados estão o lançamento inadequado de esgoto e resíduos domésticos, a poluição provocada por atividades industriais e o descarte irregular de resíduos sólidos. O tratamento de esgoto antes do lançamento nos rios, a regulamentação das atividades industriais, a reciclagem e sistemas eficientes de coleta de lixo estão entre as medidas apontadas no material.
Campanhas de educação ambiental e sistemas de monitoramento também são considerados necessários para identificar problemas e orientar ações de recuperação. O processo, segundo as informações fornecidas, depende de participação coletiva, regulamentação e investimentos em infraestrutura.
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Nascido em 1969, Lewis Pugh é conhecido por realizar travessias de longa distância em ambientes considerados vulneráveis. Ele foi a primeira pessoa a completar uma natação de longa distância em todos os oceanos do mundo e costuma utilizar suas expedições para chamar atenção para questões ambientais.
Em 2007, Pugh realizou a primeira travessia a nado do Polo Norte, em uma ação relacionada ao derretimento do gelo marinho no Ártico. Três anos depois, nadou em um lago glacial no Monte Everest para destacar o derretimento das geleiras do Himalaia e os possíveis impactos sobre o abastecimento de água na região.
Em 2018, percorreu a nado o Canal da Mancha em uma campanha pela proteção de 30% dos oceanos do mundo até 2030. Pugh também foi nomeado Jovem Líder Global pelo Fórum Econômico Mundial em 2010 e, em 2013, tornou-se o primeiro Patrono dos Oceanos das Nações Unidas.
Em 2016, participou da criação da maior reserva marinha do mundo no Mar de Ross, na Antártica. Seus esforços de negociação para a criação da reserva foram associados pela mídia ao termo “Diplomacia de Sunga”, em referência às suas travessias em águas geladas.
Atualmente, Pugh atua como professor adjunto de Direito Internacional na Universidade da Cidade do Cabo.



