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terça-feira, agosto 25, 2026

Dólar cai 0,27% e Bolsa despenca com juros nos EUA e conflito no Oriente Médio

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Dólar recua a R$ 5,10 e Ibovespa cai 1,53% com Fed inalterado e tensão no Oriente Médio (Foto: Instagram)

Nesta quarta-feira (29/7), o dólar sofreu uma queda de 0,25% em relação ao real, sendo cotado a R$ 5,10. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), também apresentou uma forte baixa de 1,53%, fechando em 173,8 mil pontos, após duas altas consecutivas.

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No cenário internacional, os investidores estavam atentos à decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que optou por manter a taxa básica de juros do país entre 3,50% e 3,75% pela quinta vez consecutiva. Embora esperada, essa decisão não foi unânime no mercado.

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Essa divergência refletiu-se na votação do Fed, onde 9 dos 12 membros votaram pela manutenção dos juros, enquanto três preferiram um aumento de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa para o intervalo de 3,75% a 4,00%.

GUERRA E PETRÓLEO
No cenário internacional, os mercados de câmbio e ações foram impactados pela ruptura da frágil trégua entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Isso fez com que o preço do petróleo, que vinha caindo, voltasse a subir.

O preço do barril de Brent, referência global, subiu 7,32%, alcançando US$ 88,09. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 6,56%, chegando a US$ 84,46.

EMPREGOS NO BRASIL
Internamente, foram divulgados os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em junho, o Brasil abriu 145.161 vagas formais, superando a expectativa do mercado de 110 mil postos, mas representando o pior desempenho para o mês desde 2020.

BOLSAS GLOBAIS
As bolsas asiáticas, que encerraram o dia antes do anúncio do Fed, também registraram quedas. O índice Kospi da Coreia do Sul caiu 6%, devido a dúvidas sobre os investimentos em inteligência artificial por empresas de tecnologia.

A queda foi liderada pelas ações da SK Hynix, que apesar de um aumento de quase seis vezes no lucro operacional, não atingiu as expectativas dos analistas, resultando em uma queda de 9,4% em suas ações. As ações da Samsung Electronics também caíram 4,8%.

NOVA YORK
Os índices de Nova York também sofreram quedas generalizadas: o S&P 500 caiu 1,51%, o Dow Jones recuou 2,18% e o Nasdaq, que concentra ações de tecnologia, caiu 1,74%.

ANÁLISE
João Vitor Saccardo, da Convexa, acredita que o Ibovespa foi pressionado pela retomada dos conflitos no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e aumentou a aversão ao risco global. “Apesar da alta da commodity beneficiar as ações da Petrobras, não foi suficiente para compensar as perdas nos setores doméstico e bancário”, comenta.

Saccardo também menciona que a queda das ações do Santander, após divulgação dos resultados do segundo trimestre, impactou o Ibovespa. “Externamente, a decisão do Fed deixou em aberto os próximos passos da política monetária americana”, explica.

DÓLAR E JUROS
Emerson Vieira Junior, também da Convexa, destaca que a queda do dólar se intensificou após o Fed manter os juros inalterados, em linha com as expectativas do mercado. “Sem sinalizações mais duras, a moeda americana perdeu força globalmente, afetando o real e outras moedas emergentes”, afirma.

AVERSÃO AO RISCO
Rebecca Nossig, da Nomad, observa que o Ibovespa e o dólar reagiram ao movimento de aversão ao risco, influenciado pela política monetária dos EUA e tensões geopolíticas. “A Bolsa caiu mais de 1%, enquanto o dólar desvalorizou frente ao real”, diz. “O tom do Fed e o aumento do petróleo devido aos conflitos no Oriente Médio foram determinantes.”

Nossig ressalta que as divergências no Fed sugerem que, devido à inflação persistente e ao mercado de trabalho forte nos EUA, uma nova alta de juros pode ocorrer em setembro. “Juros altos nos EUA afastam capital de ativos de risco, impactando o Ibovespa e o dólar”, conclui.

TRABALHO
Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, afirma que o resultado do Caged foi positivo, com a criação de 145 mil empregos formais, acima das expectativas. “Mesmo com dados econômicos fortes, a curva de juros se manteve estável, aguardando as decisões do Banco Central na próxima semana”, comenta.

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