23.8 C
São Paulo
sexta-feira, agosto 7, 2026

Cocaína é encontrada em todos os camarões analisados em rios britânicos e preocupa cientistas

Leia mais

Um estudo conduzido por pesquisadores da King’s College London e da Universidade de Suffolk revelou um cenário preocupante para os rios da região de Suffolk, no Reino Unido. Ao analisar pequenos crustáceos de água doce da espécie Gammarus pulex, a equipe encontrou vestígios de cocaína em todos os exemplares coletados, além de identificar cetamina, medicamentos e pesticidas acumulados nos organismos.

Conhecido por viver próximo ao leito dos rios, o Gammarus pulex é considerado um importante indicador da qualidade ambiental, já que absorve substâncias presentes no ecossistema. Por essa característica, a espécie é frequentemente utilizada em pesquisas que monitoram os impactos da poluição sobre a vida aquática.

As coletas foram realizadas em 15 pontos distribuídos por cinco bacias hidrográficas de Suffolk. Em laboratório, os pesquisadores utilizaram equipamentos capazes de detectar 107 compostos químicos diferentes na água e nos animais analisados.

++ Estudo registra pela primeira vez câncer transmissível em peixes de água doce

Os resultados chamaram a atenção pela extensão da contaminação. Enquanto a cocaína foi identificada em 100% das amostras, a cetamina apareceu em 76% dos crustáceos examinados. Ao todo, foram encontrados 56 compostos químicos acumulados nos organismos, entre eles medicamentos, pesticidas agrícolas e drogas ilícitas.

Entre os contaminantes também estava o fenuron, pesticida proibido na União Europeia. Segundo os pesquisadores, a presença da substância pode indicar tanto sua permanência prolongada no ambiente quanto o possível uso irregular do produto.

O estudo também aponta que alguns medicamentos, especialmente antipsicóticos, podem representar riscos significativos para a fauna aquática. Em determinados casos, essas substâncias demonstraram potencial de causar impactos biológicos superiores aos observados para alguns pesticidas identificados na pesquisa.

Para os autores, os resultados reforçam que a poluição dos rios não se limita aos resíduos visíveis. Compostos químicos presentes em baixas concentrações podem se acumular nos organismos ao longo do tempo, afetando espécies que vivem nesses ambientes, inclusive em áreas predominantemente rurais.

++ IA aumenta precisão da edição genética e reduz erros em até 83%, aponta pesquisa

Diante desse cenário, os cientistas defendem uma mudança na forma como a contaminação ambiental é avaliada. Em vez de considerar apenas a concentração de poluentes na água, eles sugerem que as análises também levem em conta o acúmulo dessas substâncias nos organismos aquáticos. Segundo o estudo, essa abordagem permite identificar com mais precisão quando os animais estão submetidos a uma “pressão de efeito” capaz de alterar seu comportamento ou comprometer sua saúde.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias