
Lula se afasta após intenso embate com Flávio Bolsonaro durante o primeiro debate presidencial da Band. (Foto: Instagram)
No domingo, 19 de outubro de 2026, o primeiro debate televisivo entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, promovido pela Band, ficou marcado por provocações mútuas, trocas de acusações e escassez de propostas concretas. Ambos os candidatos evitaram responder diretamente a diversos questionamentos, concentrando-se em criticar o adversário, num momento em que cada voto indeciso pode ser decisivo.
A economista Mônica de Bolle descreveu o senador do PL como “extremista, truculento e mentiroso de cara lavada”, apontando sua habilidade em atrair o eleitor mais radical. Por outro lado, a deputada Bia Kicis avaliou que Flávio saiu em vantagem ao pressionar o ex-presidente sobre a lobista Roberta Luchsinger e considerou que o debate dificilmente mudará votos firmes, mas pode influenciar os indecisos.
A segurança pública tornou-se um dos temas centrais. Flávio acusou a gestão petista de ineficiência e a responsabilizou pela escalada da violência, enquanto Lula defendeu que o tema cabe aos governos estaduais e apresentou um projeto para unificar políticas nessa área. No embate, o questionamento de Flávio – “Por que 73% dos presidiários votaram em você?” – provocou a resposta de Lula: “Quero 100% dos votos, até do seu pai”. A movimentação de Flávio atrás de Lula durante as falas também virou um dos principais memes nas redes sociais.
Na economia, o senador do PL propôs a criação do “Ministério da Prosperidade” e a compra das dívidas de pessoas físicas e jurídicas, com seis meses de carência para consumidores e um ano para empresas. Lula, por sua vez, destacou que, em seu primeiro mandato, deixou o país com quase 270 bilhões de reservas e crescimento de 7,5%, e que, após sua reeleição, a economia voltou a crescer acima de 3%. Ele mencionou ainda a recuperação da indústria naval e de fertilizantes, e criticou planos de privatizar 95% das estatais.
Nas considerações finais, Lula sugeriu que ambos abram sigilos bancário e telefônico, incluindo familiares, para demonstrar transparência. Flávio não respondeu ao pedido, assim como evitou explicar o voto de 73% dos presidiários. Lula também questionou o senador sobre seu voto em 2009 para restringir a licença-maternidade na Assembleia Legislativa, e Flávio rebateu citando as acusações de Roberta Luchsinger e investigações da Polícia Federal, sem esclarecer os pontos. O ex-presidente cobrou explicações sobre repasses de Daniel Vorcaro, e o senador lembrou suspeitas envolvendo o filho de Lula.
Apesar do embate ríspido, as propostas detalhadas foram escassas e muitas perguntas permaneceram sem resposta, reforçando o papel dos eleitores indecisos na definição do resultado. O tom agressivo e a ênfase em confrontos pessoais dominaram o debate, sem aprofundar temas-chave para um eventual governo.
O próximo debate está previsto para sexta-feira, na TV Globo, oferecendo nova oportunidade para os candidatos apresentarem seus planos de forma mais substancial.



