
Manifestante ergue objeto diante de incêndio durante distúrbios na França (Foto: Instagram)
A imprensa francesa procura entender os motivos por trás da escalada de violência registrada em diversas cidades do país entre sábado (17) e domingo (18), quando confrontos, saques e atos de vandalismo marcaram o fim de semana. Os jornais destacam a atuação policial questionável e a ausência de estratégia clara para conter os distúrbios.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, admitiu publicamente que não houve antecipação adequada na mobilização das forças de segurança. Segundo o Palácio do Eliseu, Nuñez chegou a apresentar seu pedido de demissão ao presidente Emmanuel Macron, que optou por mantê-lo no cargo, mesmo após o reconhecimento de falhas na coordenação das autoridades.
No editorial intitulado “A anatomia de um fiasco”, o jornal Libération aponta falhas na estratégia policial e critica a falta de propostas concretas por parte do governo para enfrentar a crise. Para o diário, o sentimento predominante entre os cidadãos neste momento é de “desolação”, diante dos prédios depredados e dos saques organizados por pessoas sem vínculo com as manifestações pacíficas.
Le Monde também destaca sinais de perda de controle por parte do líder centrista, descrevendo o episódio como um alerta para a fragilidade da gestão macronista. O periódico ressalta o impacto econômico e social dos atos de violência, que atingiram milhares de comerciantes, muitos dos quais tiveram suas lojas totalmente destruídas.
Sob a manchete “Vergonha e revolta”, Le Figaro descreve uma “França desfigurada”, citando depredações de edifícios públicos, ameaças a profissionais de imprensa em sedes como Europe 1, CNews e JDD, e ações de vândalos que agiram horas antes do início oficial das marchas. Para o jornal, “com as chamas deste dia sombrio, foi todo um sistema de valores do país que virou fumaça”.
Por fim, La Croix questiona “Como chegamos neste ponto?” ao classificar o dia 17 de outubro como “funesto” e alertar para o risco de generalização dos tumultos. O diário atribui parte da responsabilidade aos “arquitetos do caos”, entre eles grupos de vândalos, políticos extremistas e um governo que, segundo a publicação, segue distante das reivindicações da população.



