
Dólar avança a R$ 5,08 em meio a tensão global e expectativa de corte de juros (Foto: Instagram)
O dólar registrou um aumento de 0,34% em relação ao real, sendo cotado a R$ 5,08 nesta segunda-feira (3/8). Já o Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia sem variações, aos 178 mil pontos, mostrando estabilidade nos dois indicadores durante a sessão.
++ Comissária é lançada a 90 metros após colisão de avião nos EUA e sobrevive
Nesta segunda-feira, a guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a ser o principal fator global influenciando os mercados de câmbio e ações. No Brasil, as atenções dos analistas se voltaram para o anúncio da taxa básica de juros, a Selic, que será divulgado na quarta-feira (5/8), após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
++ Universitária descobre tumor cerebral após sintomas serem atribuídos ao estresse
Quanto à guerra, os mercados reagiram positivamente à possibilidade de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, embora tentativas de um acordo duradouro entre os dois países tenham falhado repetidamente nos últimos meses. Além disso, a Opep+ confirmou no fim de semana um aumento da oferta mundial de petróleo em setembro.
Com isso, e na expectativa de um alívio na guerra, os preços do petróleo caíram significativamente. O barril do tipo Brent, referência internacional da commodity, caiu 4,73%, para US$ 83,77. O tipo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, recuou 5,11%, para US$ 80,34.
No cenário interno, os agentes econômicos apostam fortemente em uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros. Se confirmado, a Selic cairá dos atuais 14,25% para 14,00% ao ano.
A expectativa de redução dos juros, como consequência de uma menor pressão inflacionária, foi também confirmada nesta segunda-feira pelo Boletim Focus, levantamento semanal realizado pelo BC com economistas do mercado.
A pesquisa registrou a quinta redução consecutiva na estimativa de inflação para este ano. Também trouxe uma projeção de queda para a Selic em 2026.
A previsão para o IPCA deste ano, índice que mede a inflação oficial do país, caiu de 5,12% na semana passada para 5,03%. No caso da Selic, a expectativa é de redução de 14,00% para 13,75% até o final do ano.
Os investidores também estão atentos aos desdobramentos da intervenção conjunta entre Estados Unidos e Japão para sustentar o valor do iene nos mercados cambiais globais. A ação, confirmada nesta segunda-feira pelos governos dos dois países, começou na quinta-feira (26/7) e continuou no dia seguinte.
O objetivo foi conter a desvalorização da moeda japonesa, que atingiu seu menor valor em 40 anos. Essa queda pode ter impacto global, especialmente na economia americana, já que o Japão é o maior detentor estrangeiro de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
Qualquer venda desses títulos para financiar intervenções no câmbio japonês pode pressionar o mercado de Treasuries, num momento em que preocupações com a inflação e a guerra no Irã já elevam os rendimentos desses papéis, considerados os mais seguros do mundo.
No pregão de hoje, com a redução das tensões no Oriente Médio, a maioria dos principais índices da Europa fechou em alta. O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas de 17 países do continente, subiu 0,45%. Em Frankfurt, o DAX avançou 1,45% e, em Paris, o CAC 40 registrou alta de 1,22%. O FTSE 100 de Londres foi a exceção, caindo 0,10%, mas ainda mantendo-se estável.
Em Wall Street, o mercado operou em estado de euforia, com fortes e generalizadas elevações. Às 16h30, o S&P 500 subia 1,58%; o Dow Jones, 1,35%; e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, 2,24%.
Em parte, a alta do dólar frente ao real seguiu uma tendência global. Às 17h28, o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), subia 0,08%, aos 99,98 pontos.
Além disso, o dólar também avançou sobre outras moedas emergentes, embora algumas altas tenham sido mais expressivas. Em relação ao peso colombiano, por exemplo, a valorização do dólar foi de 2,80%. Já sobre o peso mexicano, houve estabilidade.
Na análise da corretora Ativa, o Ibovespa foi pressionado pela desvalorização do petróleo e do minério de ferro, após o mercado reagir à possibilidade de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento impactou as ações ligadas a commodities, especialmente as da Petrobras e da Vale, que têm grande peso no índice.
Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, observa que, apesar da atualização "positiva" do Boletim Focus (indicando queda do IPCA e da Selic em 2026), a expectativa para a inflação ainda está acima da meta, em 5,03%, indicando que o processo de convergência dos preços ainda requer cautela.
"Mas o mercado reagiu ao Focus com fechamento da curva de juros, com os contratos de DI (juros futuros) caindo até 13 pontos-base nos vencimentos mais longos", afirma. "No mercado de títulos públicos, as LTNs também acompanharam o movimento, registrando fechamento entre 10 e 15 pontos-base nas taxas."
Para Dadoorian, agora as atenções se voltam para a reunião do Copom na próxima quarta-feira. "O principal foco dos investidores deve estar no comunicado do Banco Central e nas sinalizações sobre os próximos passos da política monetária", diz.
Sobre o dólar, Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, nota que, como o Brasil é um importante exportador de petróleo, a queda no preço da commodity reduziu a perspectiva de entrada da moeda americana no país, "o que naturalmente pressiona o câmbio para cima".



