Às 7h30 do sábado (13), Maria Eduarda Rodrigues de Freitas publicou uma foto na Ponte do Esqueleto, no interior de São Paulo, com uma legenda bem-humorada: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”. Cerca de uma hora depois, a jovem de 21 anos estava morta.
Maria Eduarda foi lançada de uma altura de aproximadamente 40 metros pelos instrutores da empresa Entre Cordas sem estar conectada a qualquer sistema de segurança. A corda havia ficado enrolada no chão da estrutura e não foi checada antes do salto. Um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou três funcionários carregando a jovem pelos braços até a beira da plataforma e a impulsionando para o vazio. No registro, ouve-se uma voz dizer, em desespero: “Gente, a corda.”
Maria Eduarda sofreu politraumatismo com a queda e morreu no local. Morava em Jandira, na região metropolitana de São Paulo.
As investigações revelaram uma cadeia de irregularidades. A empresa Entre Cordas não possuía autorização para realizar atividades esportivas na Ponte do Esqueleto, segundo a Secretaria de Patrimônio da União, responsável pelo imóvel. A estrutura, pertencente ao trecho nunca implantado da antiga Rede Ferroviária Federal, foi incorporada ao patrimônio da SPU em 2026 — mas a empresa operava ali sem qualquer licença.
A SPU informou que desde 2024 havia solicitado apoio às prefeituras de Limeira e Cordeirópolis para bloquear o acesso à ponte. A estrutura chegou a ser fechada por alguns meses, mas foi reaberta após pressão de empresários locais em sessão da Câmara de Vereadores de Limeira.
A Polícia Civil e a Polícia Militar prenderam seis pessoas envolvidas. Três delas tiveram a prisão convertida em preventiva, investigadas por homicídio com dolo eventual. A delegada responsável pelo caso descreveu os detidos como “desnorteados” e incapazes de explicar por que a jovem foi lançada sem a corda.
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A tragédia não foi o único acidente grave registrado no local. A Ponte do Esqueleto tem histórico de ocorrências anteriores, incluindo outras mortes durante práticas de rope jump. O caso gerou repercussão internacional, com cobertura de veículos como The Sun, NBC News, TMZ e People, e a Secretaria de Patrimônio da União convocou reunião com as prefeituras locais para discutir o bloqueio definitivo da estrutura.
No Brasil, o rope jump segue sem regulamentação específica — qualquer pessoa pode montar uma operação, sem exigência de certificação, treinamento ou vínculo com empresa formalizada. A morte de Maria Eduarda transformou o debate sobre esse vazio regulatório em urgência nacional.
“Eu ainda não consegui acreditar, Dudinha. Eu tô achando que é um pesadelo e eu vou acordar”, escreveu um amigo da jovem nas redes sociais, em homenagem publicada na segunda-feira (15).
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