Um levantamento realizado pela empresa de tecnologia BioCatch acendeu um alerta para o crescimento das fraudes no sistema financeiro brasileiro. Segundo a pesquisa, mais da metade das instituições consultadas perde acima de US$ 10 milhões por ano em decorrência de golpes e crimes financeiros, enquanto os ataques se tornam cada vez mais frequentes e sofisticados.
O estudo ouviu 100 executivos de áreas ligadas à prevenção de fraudes, riscos, compliance e crimes financeiros em bancos e instituições do setor. Entre os entrevistados, 89% afirmaram ter percebido um aumento nas tentativas de fraude ao longo de 2026, índice superior ao registrado no ano passado e acima da média mundial.
Os impactos financeiros também chamam atenção. De acordo com o levantamento, 51% das instituições registram perdas anuais superiores a US$ 10 milhões. Em parte dos casos, os prejuízos ultrapassam US$ 25 milhões e podem chegar a mais de US$ 100 milhões.
Os clientes também são afetados. Cerca de três em cada quatro executivos afirmam que os consumidores de suas instituições acumulam perdas superiores a US$ 5 milhões por ano em golpes e fraudes autorizadas. Para quase metade dos entrevistados, esse valor supera a marca dos US$ 10 milhões anuais.
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Deepfakes ampliam riscos
A pesquisa destaca ainda o avanço do uso da inteligência artificial por criminosos. Ataques com deepfakes foram identificados por 63% dos líderes ouvidos no Brasil, percentual acima da média global.
Entre as práticas mais comuns estão golpes que utilizam vozes geradas por inteligência artificial para se passar por familiares em situações de emergência ou por funcionários de instituições financeiras. Em muitos casos, as vítimas são induzidas a realizar transferências via Pix ou a fornecer acesso a dispositivos e contas bancárias.
A falsificação de identidade também figura entre os principais desafios para os bancos. Seis em cada dez entrevistados consideram esse tipo de golpe difícil de detectar, especialmente diante da evolução das ferramentas de IA.
Preocupação com IA Agêntica
Outro ponto que desperta atenção é a chamada IA Agêntica, tecnologia capaz de atuar de forma autônoma para alcançar determinados objetivos. Para 90% dos executivos entrevistados, esse tipo de inteligência artificial poderá se tornar uma das principais ameaças exploradas por organizações criminosas nos próximos anos.
Além disso, 83% acreditam que será extremamente difícil distinguir atividades legítimas apoiadas por IA de ações fraudulentas realizadas por sistemas automatizados.
Segundo Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina, a evolução dessas ferramentas permite que criminosos automatizem processos complexos de engenharia social, tornando os golpes mais convincentes e difíceis de interromper.
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Compartilhamento de informações é visto como solução
Diante do cenário, os executivos apontam a cooperação entre instituições financeiras como um dos caminhos para fortalecer a prevenção de fraudes. A pesquisa mostra que 88% dos entrevistados acreditam que o compartilhamento de inteligência entre bancos teria impacto significativo na redução de crimes financeiros.
O mesmo percentual considera fundamental o acesso a informações em tempo real sobre contas destinatárias envolvidas em transações suspeitas, permitindo bloquear operações antes que os recursos sejam dispersados.
Para os especialistas, o combate às fraudes exigirá uma combinação de monitoramento comportamental, uso estratégico de tecnologia e maior integração entre as instituições financeiras, especialmente em um ambiente marcado por transações instantâneas e crescente digitalização dos serviços bancários.
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