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sexta-feira, outubro 16, 2026

Lula na Globo: o que disse o candidato à Presidência na segunda sabatina

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O presidente Lula durante entrevista à TV Globo em São Paulo (Foto: Instagram)

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concedeu sua segunda entrevista à TV Globo na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, em São Paulo. A sabatina, mediada por Renata Lo Prete, aconteceu pouco antes do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro. Na conversa, Lula abordou temas como a redução da maioridade penal, a reforma do Supremo Tribunal Federal (STF), as relações comerciais e de segurança com os Estados Unidos de Donald Trump, o episódio do Banco Master e o endividamento das famílias brasileiras.

Ao se posicionar pela primeira vez nesta campanha, Lula defendeu a diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos. Ele afirmou: “Enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo eu sou favorável a diminuir a penalidade”. A proposta ganhou destaque após o senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentar emenda ao texto da PEC de segurança pública, reduzindo a idade para 16 anos — e até 14 anos em casos extremos. Já o petista Camilo Santana (PT-CE) sugeriu manter 18 anos em regra geral, baixando para 16 nos crimes mais graves.

Sobre a relação com os EUA, Lula destacou ter mantido um diálogo “civilizado” com Donald Trump, mesmo após tensões iniciais. Ele lembrou que sugeriu ao presidente americano que os dois “homens de 80 anos” deveriam evitar desavenças entre as maiores democracias ocidentais. As tarifas adicionais de 25% impostas por Washington em julho de 2026 motivaram negociações baseadas na Lei da Reciprocidade Econômica. “Acho que vamos chegar a um acordo”, afirmou o petista, ressaltando que, apesar da queda de 9% no comércio bilateral, o Brasil ampliou negócios com China, Indonésia, Alemanha, Vietnã e outras 50 nações.

No que se refere às facções criminosas, Lula contestou a decisão dos EUA de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como “terroristas”. Ele diferenciou esse conceito do “terrorismo de Estado” mencionado por Trump, afirmando que, embora essas organizações causem danos nas comunidades brasileiras, não se enquadram na definição de ataques políticos ou militares. O presidente destacou ter enviado a Trump uma proposta de combate baseado na experiência da Polícia Federal e citou a Lei Antifação, sancionada em março, que aumentou penas para líderes de quadrilhas.

A crise no Supremo Tribunal Federal ganhou atenção quando vieram à tona supostas ligações entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes. Mensagens e documentos indicaram vínculos pessoais e profissionais que motivaram questionamentos sobre a lisura do julgamento de investigações sobre fraudes financeiras. Lula classificou a situação como “promiscuidade” e afirmou que a oposição tenta responsabilizá-lo pelo escândalo para atingir Moraes. Ele lembrou que o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso em fevereiro, após a Polícia Federal mencionar seu nome.

Na área de segurança pública, o presidente defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública para centralizar e fortalecer a atuação de órgãos federais como a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo Lula, a reforma constitucional aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado autoriza a União a atuar diretamente nessa área, garantindo “tranquilidade, segurança e proteção” para a sociedade, além de “prisão” para quem comete crimes.

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