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sexta-feira, agosto 7, 2026

Antidepressivo é encontrado no cérebro de tubarões na costa do Rio de Janeiro

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Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificaram a presença de sertralina, um dos antidepressivos mais utilizados no Brasil, no tecido cerebral de tubarões-martelo encontrados no litoral fluminense. A descoberta faz parte de um estudo conduzido pelo Projeto EcoShark, que monitora a saúde desses animais desde 2018.

Os cientistas analisaram exemplares capturados acidentalmente por pescadores nas regiões do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Copacabana. Entre os resultados, chamou atenção a detecção da substância no cérebro de espécies ameaçadas de extinção, como o Tubarão-martelo e o Tubarão-martelo-liso.

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Como o medicamento chega ao oceano?

Após ser consumida, parte da sertralina é eliminada pelo organismo e segue para os sistemas de esgoto. Como as estações convencionais de tratamento não foram projetadas para remover completamente resíduos farmacêuticos, esses compostos acabam alcançando rios, baías e o mar.

No estado do Rio de Janeiro, uma parcela significativa do esgoto ainda recebe apenas tratamento básico antes de ser lançada no oceano por emissários submarinos. Com isso, substâncias presentes em medicamentos podem ser absorvidas por organismos marinhos e entrar na cadeia alimentar.

O que os pesquisadores descobriram?

Segundo os autores, os tubarões ocupam o topo da cadeia alimentar e tendem a acumular contaminantes presentes no ambiente. A sertralina foi encontrada justamente no cérebro dos animais, uma região onde a substância tem afinidade por causa de sua interação com tecidos ricos em gordura e com o sistema nervoso.

Apesar da descoberta, os cientistas ressaltam que ainda não há evidências de que a presença do antidepressivo tenha provocado alterações comportamentais ou fisiológicas nos tubarões analisados.

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Possíveis impactos

Estudos realizados com outras espécies aquáticas já demonstraram que antidepressivos podem influenciar padrões de comportamento, locomoção e aprendizado. No entanto, ainda não se sabe como a exposição prolongada a esses compostos afeta tubarões e outros grandes predadores marinhos.

A pesquisa levanta preocupações sobre o impacto dos chamados “poluentes emergentes”, grupo que inclui medicamentos, hormônios e produtos químicos de uso cotidiano que chegam aos ecossistemas aquáticos.

Desafios para o futuro

Os pesquisadores defendem a ampliação do monitoramento de resíduos farmacêuticos na fauna marinha, além de investimentos em tecnologias de tratamento de esgoto capazes de remover micropoluentes.

A descoberta também reforça a necessidade de estudos sobre os efeitos desses compostos em espécies ameaçadas e ecossistemas costeiros. Para os cientistas, encontrar um antidepressivo no cérebro de tubarões que vivem próximo a áreas urbanas demonstra como atividades humanas podem alcançar até mesmo os ambientes marinhos mais complexos e distantes do cotidiano das cidades.

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