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sábado, maio 30, 2026

Governo vê risco para Pix após EUA classificarem PCC e CV como grupos terroristas

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O governo federal elevou o tom contra a decisão dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. Em nota divulgada nesta sexta-feira (29), o Palácio do Planalto argumentou que a medida pode produzir efeitos que vão além do combate ao crime organizado, alcançando setores estratégicos da economia brasileira, incluindo o sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Segundo o governo, a classificação adotada por Washington abre espaço para consequências econômicas e regulatórias que poderiam atingir iniciativas nacionais consideradas bem-sucedidas no mercado financeiro.

“Trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país”, afirmou o comunicado oficial.

A preocupação ocorre em meio a um histórico recente de críticas dos Estados Unidos ao Pix. Em relatórios produzidos pela administração do presidente Donald Trump, o sistema brasileiro de pagamentos foi citado como um modelo que reduz a participação de empresas internacionais de cartões de crédito e débito no mercado nacional.

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No ano passado, o governo americano chegou a mencionar o Pix em um documento que embasou uma investigação comercial contra o Brasil, classificando o sistema como uma prática que poderia afetar a competitividade de empresas norte-americanas.

A controvérsia ganhou novos contornos após o governo dos Estados Unidos anunciar oficialmente a inclusão do PCC e do CV em listas destinadas a organizações consideradas terroristas. A medida enquadra as facções tanto como Organizações Terroristas Estrangeiras quanto como Terroristas Globais Especialmente Designados.

A decisão foi divulgada poucos dias depois de um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca. Após a reunião, o parlamentar afirmou publicamente ter solicitado ao governo americano a adoção da classificação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao anúncio durante um evento realizado em Sergipe. Em discurso, afirmou considerar as facções criminosas uma ameaça à sociedade brasileira, mas criticou a forma como os Estados Unidos conduziram a medida.

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Lula também demonstrou incômodo com declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre a possibilidade de ações mais amplas contra grupos criminosos classificados como terroristas.

O debate ocorre em meio a divergências diplomáticas sobre os limites da cooperação internacional no combate ao crime organizado. Especialistas apontam que a classificação de organizações criminosas como grupos terroristas pode ampliar instrumentos de investigação, sanções financeiras e bloqueio de ativos, mas também gerar discussões sobre soberania e alcance da legislação americana fora de seu território.

Enquanto isso, o governo brasileiro busca separar o combate às facções criminosas de possíveis impactos sobre áreas estratégicas da economia, especialmente aquelas ligadas à inovação financeira e aos sistemas de pagamento desenvolvidos no país.

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