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quarta-feira, setembro 16, 2026

Comissão revisa caso JK e conclui que ex-presidente foi vítima da ditadura militar

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Cinquenta anos após a morte de Juscelino Kubitschek, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que o ex-presidente foi vítima da ditadura militar brasileira. A decisão, aprovada nesta sexta-feira (29), rompe com a versão oficial que, durante décadas, atribuiu sua morte a um acidente de trânsito ocorrido na Rodovia Presidente Dutra, em 1976.

O parecer foi aprovado por maioria dos integrantes da comissão, com seis votos favoráveis e uma abstenção. O resultado foi apresentado durante coletiva realizada na sede do Ministério Público Federal, em São Paulo.

A revisão do caso foi conduzida pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora responsável pela investigação dentro da comissão. O trabalho reuniu mais de cinco mil páginas entre documentos, laudos técnicos e anexos analisados ao longo dos últimos meses.

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Segundo a CEMDP, as conclusões contestam as investigações realizadas na época da morte de JK, que apontaram que o veículo conduzido por Geraldo Ribeiro atravessou a pista contrária e colidiu com um caminhão após um possível contato com um ônibus.

Juscelino Kubitschek e o motorista morreram no local do acidente, ocorrido em agosto de 1976, durante uma viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro.

Desde então, o episódio permaneceu cercado por suspeitas. O contexto político da época, marcado pela ditadura militar e pelas ações da Operação Condor, alimentou por décadas questionamentos sobre a possibilidade de um atentado político.

A reabertura das discussões ocorreu após solicitação apresentada por Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e pelo jornalista Ivo Patarra. O pedido foi analisado após a retomada das atividades da comissão especial.

Parte das evidências consideradas no novo parecer já havia sido examinada anteriormente pelo Ministério Público Federal. Entre os documentos utilizados está um laudo elaborado pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, concluído em 2019, que questionou a dinâmica do acidente registrada pelas investigações originais.

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O novo entendimento diverge das conclusões apresentadas pela Comissão Nacional da Verdade em 2014. Na ocasião, o órgão concluiu que não existiam provas suficientes para atribuir a morte de JK a uma ação do regime militar.

Agora, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos sustenta que há elementos capazes de vincular o episódio à repressão política da época, reabrindo um dos capítulos mais debatidos da história recente do Brasil.

Presidente da República entre 1956 e 1961, Juscelino Kubitschek ficou marcado pela construção de Brasília e pelo projeto de modernização do país. Após o golpe militar de 1964, teve os direitos políticos cassados e passou a ser visto como uma das principais lideranças civis de oposição ao regime.

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