Kim Smith, de 65 anos, perdeu as duas mãos e as duas pernas após uma infecção urinária evoluir para sepse durante uma viagem à Espanha, em novembro de 2017. Oito anos depois, moradora de Milton Keynes, na Inglaterra, ela recebeu um transplante de mão que permitiu voltar a realizar tarefas como segurar uma xícara, escovar os dentes e pentear os cabelos.
Antes de adoecer, Kim era saudável e estava de férias com o marido, Steve, de 67 anos. Ela sentiu dores no lado esquerdo do corpo e acreditou inicialmente que tivesse uma infecção urinária. Depois de procurar atendimento médico, recebeu uma receita de antibióticos, mas o medicamento estava em falta na farmácia.
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O quadro piorou rapidamente. “Eu tinha dores nos rins e simplesmente achei que tinha pegado uma infecção nas férias”, contou ao The Sun. Segundo Kim, durante a madrugada ela passou a apresentar fala arrastada, mãos e pés gelados e febre intensa.
Kim foi colocada em coma e, em janeiro de 2018, cinco semanas depois do início da doença, foi transferida de avião para o Milton Keynes Hospital. Ela despertou no mês seguinte, após nove semanas em coma, quando os médicos pediram autorização para amputar os quatro membros.
“Quando acordei do coma, minhas mãos e pés estavam pretos e eu sabia que eles precisavam ser retirados. Pensei na minha família, em quanto queria continuar viva, e só queria me livrar deles”, afirmou.
A cirurgia foi realizada e Kim recebeu alta em maio daquele ano. Depois, passou por reabilitação e, em 2019, recebeu próteses nas pernas, voltando gradualmente a caminhar.
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A perda das mãos, porém, fez com que ela dependesse da família para tarefas básicas. Durante um período de cerca de 12 meses, Kim enfrentou uma depressão severa e chegou a ter pensamentos suicidas. “Eu era grata pelas minhas pernas, mas sentia muita falta das minhas mãos. Precisava depender de todos os outros. Não conseguia nem segurar uma xícara, escovar os próprios dentes ou os cabelos”, contou.
Com o incentivo das filhas, Gemma, de 37 anos, e Becki, de 35, Kim começou em 2019 a falar sobre sepse nas redes sociais: “Percebi que educar outras pessoas sobre sepse era meu novo propósito de vida. As pessoas foram muito encorajadoras e positivas, e me conectei com outros amputados, o que ajudou tanto a mim quanto a eles”.
Depois de entrar na lista de espera para um transplante de mão, Kim passou por 18 tentativas sem encontrar um doador compatível. A oportunidade surgiu quando uma mulher de 33 anos morreu após uma convulsão, em agosto de 2025, deixando instruções para que seus órgãos fossem doados.
A mãe da doadora autorizou a utilização das mãos. Kim se tornou a 12ª paciente do Reino Unido a passar pelo procedimento, mas apenas a mão esquerda transplantada permaneceu saudável. “Perdi uma mão, mas fiquei muito feliz por ter a outra. Tive uma recuperação muito boa e, apenas quatro semanas depois, estava aprendendo a segurar uma escova de dentes e uma xícara. Eu conseguia pentear o cabelo, escrever meu nome e alcançar uma coceira”, declarou.
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A mãe da doadora contou que Kim recebeu parte de uma tatuagem que a filha tinha no braço, com a inscrição “Noli timere”, expressão em latim que significa “Não tenha medo”. Segundo ela, a filha era “gentil e generosa” e a família ficou confortada ao saber que parte dela continuava ajudando outra pessoa.
Agora, Kim lançou o livro From Shadows to Light, no qual relata sua trajetória após a sepse, as amputações e o transplante. “Quero aumentar a conscientização sobre a sepse e a doação de membros, mas também sobre a importância de seguir em frente e nunca perder a esperança”, finalizou.



