Segundo informações do Metrópoles, a exposição ao DEHP durante a gravidez foi associada a alterações na atividade de genes dos bebês e a uma maior presença de características relacionadas ao transtorno do espectro autista (TEA) e ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na infância. O resultado foi apresentado por pesquisadores australianos em um estudo publicado nesta sexta-feira (11), na revista científica Med, da Cell Press.
O DEHP, ou ftalato de di(2-etil-hexila), é uma substância adicionada principalmente ao PVC para aumentar a flexibilidade do material. Por isso, pode estar presente em diferentes produtos fabricados com determinados tipos de plástico flexível.
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Entre os materiais que podem conter o composto estão pisos e revestimentos de vinil, mangueiras e tubos flexíveis, algumas embalagens e materiais que entram em contato com alimentos, roupas e revestimentos impermeáveis e determinados produtos médicos, como tubos e bolsas de PVC flexível. A presença do DEHP depende da composição e do processo de fabricação de cada produto.
Para investigar possíveis efeitos da exposição durante a gestação, os pesquisadores analisaram dados do Barwon Infant Study, estudo australiano que acompanha mães e filhos desde a gravidez. Entre os participantes, 847 tinham informações sobre a exposição pré-natal ao DEHP.
A exposição foi estimada a partir de metabólitos encontrados na urina das mães na 36ª semana de gestação. Depois do nascimento, os cientistas também examinaram o sangue do cordão umbilical.
A análise identificou uma rede de genes com alterações na metilação do DNA associadas à exposição ao DEHP. A metilação é um mecanismo que controla a atividade dos genes sem alterar a sequência genética. Parte dos genes identificados já havia sido relacionada ao desenvolvimento cerebral, ao autismo e ao TDAH.
As crianças participantes foram avaliadas aos dois e aos quatro anos por meio de questionários sobre comportamento. Os resultados apontaram relações entre a exposição pré-natal ao DEHP, as alterações epigenéticas observadas no nascimento e características associadas ao autismo e ao TDAH durante a infância.
Os pesquisadores também analisaram conjuntos independentes de dados, incluindo amostras de sangue e de tecido cerebral. Essas análises reforçaram parte dos resultados encontrados inicialmente.
Apesar das associações observadas, o estudo não demonstra que o DEHP provoque autismo ou TDAH. Os resultados não permitem afirmar que uma criança desenvolverá alguma dessas condições por ter sido exposta à substância durante a gestação.
Autismo e TDAH são condições complexas e estão relacionados a diferentes fatores genéticos e ambientais.



