O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros ganhou novos desdobramentos nesta sexta-feira (29) com o depoimento do médico-legista Luiz Carlos Leal Prestes, responsável pelo exame no corpo de Henry Borel. Durante audiência realizada no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o especialista afirmou que a criança sofreu intensamente antes de morrer e classificou o caso como resultado de agressões.
Segundo o perito, as lesões encontradas no corpo do menino são incompatíveis com a versão de acidente doméstico apresentada pela defesa e indicam um quadro de violência prolongada.
“Essa foi uma morte lenta, agônica. Essa criança sofreu. Com a multiplicidade de lesões, ela deve ter chorado e reclamado muito até desfalecer e entrar em óbito. Ela sofreu durante um tempo até sucumbir”, declarou aos jurados.
Com mais de quatro décadas de atuação na medicina legal, Prestes foi a primeira testemunha ouvida durante a quinta sessão do julgamento. Ele reforçou a tese do Ministério Público de que Henry morreu em decorrência de espancamento.
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De acordo com o especialista, a criança já não apresentava sinais vitais quando chegou ao Hospital Barra D’Or. A conclusão foi baseada, entre outros fatores, na temperatura corporal registrada na unidade de saúde.
Segundo o perito, a medição de 34°C indicaria que a morte ocorreu entre duas e três horas antes da chegada ao hospital.
“Houve um homicídio por espancamento. Esse menor chegou sem vida a esse hospital. A multiplicidade de lesões em sítios diferentes fez com que, inequivocamente, se concluísse que essa criança foi agredida”, afirmou.
A defesa de Jairinho sustenta que os ferimentos identificados no corpo de Henry teriam sido provocados pelas tentativas de reanimação realizadas pelos médicos. Prestes, porém, rejeitou essa hipótese.
Segundo ele, a laceração no fígado responsável pela hemorragia interna ocorreu enquanto a criança ainda estava viva e não possui relação com os procedimentos adotados na emergência.
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O médico também destacou que Henry apresentava 17 lesões externas distribuídas por diferentes regiões do corpo, incluindo a cabeça. Para ele, a variedade e a localização dos ferimentos descartam a possibilidade de uma única queda.
“O acidente doméstico está totalmente descartado. Isso é uma coisa fantasiosa”, declarou.
Durante a apresentação das imagens periciais no plenário, Monique Medeiros deixou a sala para receber atendimento médico após passar mal. Ela retornará ao julgamento apenas na próxima sessão.
Além de Prestes, ainda devem prestar depoimento o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e Leniel Borel.
Ao todo, 27 testemunhas foram convocadas para o julgamento. Após a conclusão dessa etapa, Jairinho e Monique serão interrogados antes das alegações finais da acusação e da defesa.
Os dois réus respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. O caso, que teve grande repercussão nacional desde a morte de Henry em 2021, segue sendo acompanhado de perto pela opinião pública.
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