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sábado, maio 30, 2026

Dólar sobe para R$ 5,04 e Bolsa cai com PIB, acordo EUA-Irã e PCC-CV

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Notas de US$100: dólar fecha maio em leve alta a R$ 5,042 (Foto: Instagram)

O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (29/5), última de maio, com uma leve alta de 0,21%, cotado a R$ 5,042, permanecendo próximo da estabilidade.

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Na última sessão da semana, o mercado financeiro reagiu aos dados de crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre, ao potencial acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, e à decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

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O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores do Brasil (B3), se descolou dos índices internacionais e fechou em queda acentuada.

DÓLAR

  • A moeda dos EUA terminou o dia em alta de 0,21%, cotada a R$ 5,042, praticamente estável.
  • Atingiu R$ 5,071 na máxima da sessão e R$ 5,035 na mínima.
  • No dia anterior, o dólar caiu 0,57%, cotado a R$ 5,031.
  • Em maio, a moeda acumula alta de 1,82% e queda de 8,12% em 2026 frente ao real.

IBOVESPA

  • O Ibovespa encerrou em baixa, descolando-se dos principais índices externos.
  • Fechou em queda de 0,73%, aos 173,7 mil pontos.
  • No dia anterior, caiu 0,39%, aos 175 mil pontos.
  • Em maio, a Bolsa acumula queda de 6,53%, mas alta de 8,66% no ano.

ECONOMIA DO BRASIL AVANÇA 1,1% NO 1º TRIMESTRE
No primeiro trimestre de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado, em linha com as expectativas do mercado, foi impulsionado pela agropecuária, que cresceu 2%, além de aumentos na indústria (1%) e serviços (0,5%). O PIB totalizou R$ 3,3 trilhões em valores correntes.

Comparado ao primeiro trimestre de 2025, o PIB subiu 1,8%, com avanços na agropecuária (0,7%), indústria (1,6%) e serviços (2,1%).

A previsão do Banco Central para o crescimento econômico em 2026 é de 1,6%, enquanto o Ministério da Fazenda projeta 2,3%. O mercado financeiro espera um avanço de 1,89% no PIB para este ano.

Em 2025, a economia cresceu 2,3%, após uma alta de 3,4% em 2024.

Economistas consultados pelo Metrópoles consideraram positivo o resultado do PIB. No entanto, o desempenho forte pode levar o Banco Central a manter cautela em relação à taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano.

PCC E CV SÃO CLASSIFICADOS COMO GRUPOS TERRORISTAS PELOS EUA
O Departamento de Estado dos EUA anunciou na quinta-feira (28/5) que classificará as facções brasileiras PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida faz parte da estratégia do governo Trump de intensificar o combate ao crime organizado e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.

As facções serão oficialmente listadas como Organizações Terroristas Estrangeiras em 5 de junho.

O governo Trump alegou que PCC e CV são das organizações criminosas mais violentas do Brasil, acusando-as de ataques a policiais, servidores públicos e civis. As redes dessas facções se estendem além das fronteiras brasileiras, afetando diretamente a segurança dos EUA.

O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger a nação e interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas fora das ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos.

MERCADO TEME IMPACTOS NO BRASIL
Fontes consultadas pelo Metrópoles nesta sexta-feira avaliam que a decisão não deve impactar imediatamente o câmbio e o mercado de ações. Contudo, no médio e longo prazo, a economia brasileira pode sentir os efeitos, especialmente em setores específicos, devido à decisão de Trump sobre PCC e CV.

Especialistas afirmam que a classificação dos EUA pode afastar empresas americanas do Brasil, temendo possíveis ligações indiretas com os grupos criminosos.

Operações recentes da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público revelaram conexões entre o PCC e setores como combustíveis, mercado imobiliário, fintechs e fundos de investimento.

Qualquer "apoio material" ou "serviço" pode ser penalizado, levando empresas estrangeiras a reduzirem ou interromperem investimentos no Brasil, o que pode afetar o câmbio e elevar o valor do dólar frente ao real.

TRUMP DIZ QUE TOMARÁ DECISÃO FINAL SOBRE A GUERRA
Donald Trump anunciou nas redes sociais que decidirá sobre a guerra no Irã, listando exigências americanas. Mais cedo, às 11h50 (horário de Brasília), ele se reuniu na Sala de Situação da Casa Branca.

EUA e Irã chegaram a um acordo de cessar-fogo por 60 dias, enquanto discutem o programa nuclear iraniano, mas falta a aprovação de Trump. Agências iranianas negaram a informação.

Trump listou exigências: o Irã não pode obter armas nucleares, o Estreito de Ormuz deve ser aberto sem pedágio, minas subaquáticas removidas, e urânio enriquecido retirado do Irã pelos EUA.

Trump afirmou que "não haverá troca de dinheiro, até segunda ordem" e que "outros pontos de menor importância já foram acordados".

A Marinha dos EUA liberará navios ligados a portos iranianos detidos no Mar Arábico.

O Estreito de Ormuz é um canal estratégico entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, crucial para a economia global, concentrando 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do GNL.

ANÁLISE
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirmou que o dólar terminou próximo da estabilidade, em um pregão de baixa amplitude, apesar da agenda de indicadores.

"O mercado reagiu às negociações entre EUA e Irã, comentários do Fed e dados econômicos, mas sem um direcional claro", disse Shahini.

"No Brasil, os ativos continuam em consolidação, respondendo de forma limitada aos eventos externos. A combinação de diferencial de juros elevado, fluxo externo limitado e falta de novos catalisadores mantém o câmbio lateral, com investidores aguardando sinais do cenário doméstico", explicou.

Shahini acrescentou que os mercados internacionais operaram em tom positivo, sustentados pela expectativa de um acordo entre EUA e Irã, reduzindo prêmios de risco geopolítico.

"No Brasil, o Ibovespa caiu moderadamente, pressionado pela queda das ações de petróleo após a baixa do brent, refletindo também cautela diante das incertezas locais e sensibilidade de setores à queda das commodities", explicou.

"O PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre e 1,8% na comparação anual, em linha com as expectativas. O dado reforça a percepção de uma economia resiliente, sustentando projeções de crescimento próximas a 2% para 2026. Contudo, a atividade mais forte reforça o cenário de juros elevados, já que parte do crescimento está associada a estímulos fiscais, limitando a flexibilização monetária pelo Banco Central."

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