A Organização Mundial da Saúde alertou para o avanço de um novo surto de ebola na República Democrática do Congo. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (29), já foram registrados 906 casos suspeitos da doença, incluindo 223 mortes que ainda passam por investigação laboratorial.
Até o momento, 125 infecções foram confirmadas oficialmente nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Entre os casos confirmados, 17 pessoas morreram em decorrência da doença.
O surto também ultrapassou as fronteiras congolesas. Em Uganda, autoridades de saúde confirmaram sete casos da infecção, dos quais três foram importados da República Democrática do Congo. O país registrou uma morte relacionada ao vírus, mas não identificou, até agora, transmissão comunitária.
A preocupação das autoridades está relacionada à circulação da cepa Bundibugyo, uma variante rara do ebola para a qual ainda não existe vacina aprovada. Por causa do potencial de disseminação e da ausência de imunizantes específicos, a OMS classificou o episódio como uma emergência de saúde pública de interesse internacional.
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Especialistas acreditam que o vírus tenha circulado por cerca de dois meses antes de ser identificado pelas autoridades sanitárias. Esse atraso dificultou o rastreamento dos contatos e permitiu que a doença se espalhasse em regiões densamente povoadas do leste congolês.
Segundo Anais Legand, integrante da equipe de patógenos de alta ameaça da OMS, a taxa de mortalidade observada entre os casos confirmados pode variar entre 30% e 50%.
“Isso significa que até cinco em cada dez pessoas podem morrer”, afirmou a especialista, ressaltando que os dados ainda são preliminares e dependem de análises adicionais.
Apesar da gravidade do cenário, a OMS destaca que o diagnóstico precoce e o acesso rápido ao tratamento podem aumentar significativamente as chances de sobrevivência. A organização informou que a primeira paciente recuperada da atual onda de infecções já recebeu alta médica após apresentar dois testes negativos consecutivos.
Diante da emergência, a agência também definiu três medicamentos experimentais como prioridade para o tratamento da cepa Bundibugyo: o MBP134, desenvolvido pela Mapp Biopharmaceutical, o maftivimab, da Regeneron, e o antiviral remdesivir, produzido pela Gilead Sciences.
Para prevenção após exposição ao vírus, a OMS também destacou o potencial do antiviral oral obeldesivir, atualmente em fase experimental.
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No campo das vacinas, a principal aposta é a candidata rVSV Bundibugyo, desenvolvida pela Iniciativa Internacional para a Vacina contra a AIDS. No entanto, a previsão é de que o imunizante ainda não esteja pronto para testes clínicos antes dos próximos sete a nove meses.
Enquanto amplia a capacidade de testagem e monitoramento, a OMS trabalha em conjunto com autoridades do Congo, Uganda e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças para conter a disseminação do vírus e acelerar o desenvolvimento de tratamentos e vacinas específicos para a nova cepa.
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