
Moeda de R$1 simboliza avanço de 1,1% do PIB no 1º tri de 2026 (Foto: Instagram)
Economistas e analistas financeiros consultados pelo Metrópoles nesta sexta-feira (29/5) avaliaram positivamente o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre deste ano, que registrou um aumento de 1,1%, conforme previsto nas principais projeções.
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De acordo com esses especialistas, o forte desempenho da economia brasileira no início de 2026 deve levar o Banco Central (BC) a adotar uma postura cautelosa em relação à taxa básica de juros (Selic), atualmente fixada em 14,5% ao ano.
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A taxa básica de juros é o principal mecanismo dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando os juros são mantidos elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que impacta nos preços, pois juros altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem frear a atividade econômica.
No primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do país cresceu 1,1% em relação ao quarto trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal.
O crescimento foi impulsionado pela agropecuária, que teve uma expansão de 2% no período. Também foram registradas altas na indústria (1%) e nos serviços (0,5%). Em valores correntes, conforme o IBGE, o PIB totalizou R$ 3,3 trilhões.
Comparando com o 1º trimestre de 2025, o PIB do Brasil cresceu 1,8%, com avanços na agropecuária (0,7%), na indústria (1,6%) e nos serviços (2,1%).
O QUE DIZ O MERCADO
Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, destaca que “embora 2025 tenha terminado com sinais de desaceleração econômica devido a juros altos para combater uma inflação acima da meta, o início de 2026 muda essa perspectiva”. Ele observa que “os dados atuais indicam que a economia não deve esfriar tão cedo, contrariando o ritmo desejado pelo BC”.
Kayo também aponta que “o mercado de trabalho apertado, com desemprego baixo e aumento de renda, além de estímulos fiscais em ano eleitoral, como a expansão do crédito e a valorização do salário mínimo, são desafios para o BC”.
Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, afirma que “o ano começa bem”. Ele menciona que “os dados sugerem um crescimento mais próximo de 2% e mostram uma economia resiliente, apesar dos vários choques recentes, como pandemia e crises climáticas”.
Roberto Dumas, estrategista-chefe da GCB, também vê “boas notícias na economia real, embora impulsionadas por benefícios governamentais, que podem ter custos futuros em termos de juros mais altos”.
José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, acredita que os dados “indicam uma economia acelerando, provavelmente devido a programas do governo, o que pode preocupar o BC”.
Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, espera uma desaceleração gradual. “Esse bom desempenho do primeiro trimestre não deve se manter nos próximos meses devido ao choque do petróleo”, afirma.
Matheus Pizzani, economista do PicPay, avalia que “o forte avanço da economia não deve ser visto como uma continuidade de crescimento forte, mas sim refletido nos trimestres seguintes”.
PIB
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade em um ano. O IBGE divulga esses dados trimestralmente.
O BC estima um crescimento de 1,6% para este ano, enquanto o Ministério da Fazenda projeta 2,3%. O mercado financeiro prevê um avanço de 1,89% em 2026.
Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, após um crescimento de 3,4% em 2024.



