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segunda-feira, setembro 14, 2026

Mistério da domesticação dos gatos pode ter raízes em antigos rituais egípcios

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Durante muito tempo, estudiosos acreditaram que os gatos se aproximaram dos humanos para caçar roedores nas primeiras comunidades agrícolas do Oriente Médio. Mas novas evidências genéticas e arqueológicas estão reescrevendo essa história — e o ponto de partida pode ser bem mais sombrio.

Pesquisadores vêm encontrando indícios de que a domesticação dos felinos tenha começado no Egito Antigo, impulsionada por práticas religiosas. A teoria, que tem ganhado força na comunidade científica, sugere que os primeiros gatos domesticados não foram acolhidos como ajudantes ou companheiros, mas criados especificamente para sacrifícios rituais.

“Mesmo que se admita que o gato-de-Chipre tenha sido algum tipo de animal de estimação, já se passaram milhares de anos sem outros gatos”, explicou o arqueólogo Sean Doherty, da Universidade de Exeter, ao portal Science. Para ele, o Egito desponta como o verdadeiro epicentro dessa relação milenar.

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A nova hipótese surge a partir da análise de 87 genomas de gatos antigos e modernos. O estudo, ainda em revisão por pares, mostra que os felinos domésticos de hoje compartilham raízes com populações do norte da África — e não com os gatos encontrados na ilha de Chipre, como se pensava anteriormente. Embora um esqueleto felino de 9.500 anos enterrado ao lado de um humano em Chipre tenha sido considerado evidência da domesticidade precoce, os dados genéticos sugerem o contrário: aquele animal não estaria ligado diretamente ao Felis catus atual.

O que os cientistas descobriram é que os gatos mumificados encontrados em escavações no Egito — datados entre 500 a.C. e o início da era cristã — representam os primeiros registros comprovados de gatos domesticados. E seu destino não era dos mais tranquilos. Esses felinos eram oferecidos como sacrifício à deusa Bastet, figura central da religiosidade egípcia antiga e representada com traços felinos.

“A demanda por sacrifícios exigia criadouros, selecionando animais mais dóceis”, explica Greger Larson, da Universidade de Oxford. Segundo ele, essa criação em larga escala teria impulsionado uma rápida adaptação ao convívio com humanos, ainda que inicialmente em um contexto religioso.

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A partir desse núcleo egípcio, os gatos domésticos começaram a se espalhar para outras regiões. Evidências arqueológicas apontam que sua presença na Europa só ocorreu muitos séculos depois, entre 500 a.C. e 200 d.C., via rotas comerciais do Império Romano. Um esqueleto encontrado na Áustria, datado de cerca de 50 a.C., é o mais antigo já identificado geneticamente como um Felis catus no continente europeu.

Enquanto isso, espécies selvagens nativas da Europa, como o próprio gato-de-Chipre, foram gradualmente desaparecendo, provavelmente por competição e cruzamentos com os recém-chegados felinos domesticados.

Se a ciência confirmar de vez a nova teoria, a imagem do gato como aliado espontâneo dos humanos no combate a pragas ganha uma reviravolta histórica — e revela que a origem dessa relação milenar pode estar mais ligada ao templo do que ao celeiro.

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