Baleias-cachalote não “clicam” no escuro. Um conjunto de pesquisas ligadas ao Projeto CETI, em parceria com cientistas do MIT, vem mostrando que esses animais organizam sequências de cliques — as chamadas codas — de modo bem mais estruturado do que se imaginava. Em vez de um repertório fixo de sinais, os dados sugerem um sistema combinatório: elementos simples se misturam e geram uma grande variedade de padrões reconhecíveis dentro do grupo.
O trabalho que ganhou destaque em Nature Communications descreve quatro componentes principais na construção dessas codas: ritmo e tempo (características mais “estáveis” do padrão), além de rubato e ornamentação (variações associadas ao contexto da interação, como se fossem nuances de uma conversa). A ideia central é que essas camadas podem ser combinadas para formar um “inventário” amplo de mensagens acústicas, algo que se aproxima do conceito linguístico de “dupla articulação” — quando unidades pequenas se combinam para gerar unidades maiores.
Em paralelo, outros estudos analisaram a “assinatura” espectral desses cliques e encontraram padrões recorrentes que lembram vogais e ditongos, não porque as baleias falem como humanos, mas porque certos traços acústicos aparecem de forma consistente e parecem ser produzidos com controle, repetidos entre indivíduos e associados a tipos de coda. A pesquisa descreve categorias como “a-codas” e “i-codas”, propondo uma leitura fonética do repertório.
++ É por isso que as janelas permanecem seladas durante o inverno na Rússia
O avanço ainda não significa “tradução” — ninguém sabe, hoje, o significado preciso dessas combinações. Mas o conjunto de evidências fortalece a hipótese de que cachalotes carregam informação social e comportamental em estruturas muito mais ricas do que simples sinais de presença, coordenação ou alerta. E, nesse processo, a inteligência artificial tem sido ferramenta central para classificar milhares de vocalizações, detectar padrões e levantar hipóteses testáveis sobre o que muda de contexto para contexto.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



