A corrida por fósseis de dinossauros não acontece apenas nos campos de escavação. Em casas de leilão de luxo, esqueletos de tiranossauro-rex têm sido arrematados por cifras milionárias, abastecendo o mercado de colecionadores bilionários e, segundo cientistas, dificultando o progresso da paleontologia.
Uma análise conduzida por Thomas Carr, do Instituto de Paleontologia de Carthage, nos Estados Unidos, revelou que a maioria dos fósseis de T. rex considerados relevantes para a ciência está hoje fora do alcance de museus e universidades. O levantamento mostra que 71 espécimes pertencem a acervos privados ou comerciais, enquanto apenas 61 estão preservados em instituições públicas. Os dados foram publicados na revista Palaeontologia Electronica.
“Há um verdadeiro apagão no acesso a fósseis jovens e subadultos do T. rex, que são fundamentais para entender o desenvolvimento da espécie”, disse Carr em entrevista à Live Science.
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O problema não é apenas o número — mas a dificuldade de acesso. Mesmo quando há empréstimos temporários para exposições ou estudos, apenas uma pequena parte desses fósseis se transforma em patrimônio público. O levantamento indica que apenas 11% dos itens vendidos em leilões acabam em instituições de pesquisa.
Carr chegou aos números cruzando registros de museus, catálogos de leilões e até relatos publicados por colecionadores. A pesquisa reforça que empresas privadas têm encontrado mais fósseis do que instituições científicas, o que pode colocar a ciência em segundo plano diante do apelo comercial.
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A discussão ganhou ainda mais força após a venda recente de um estegossauro por quase US$ 45 milhões. Apesar de estar temporariamente em exposição no Museu Americano de História Natural, em Nova York, o fóssil permanece como propriedade particular.
Para pesquisadores como Carr, a presença desses exemplares em mãos privadas representa um desafio ético e científico. “Sem acesso irrestrito, o conhecimento sobre espécies extintas fica comprometido”, afirma.
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