A crise institucional no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pode comprometer a credibilidade da entidade, segundo avaliação da demógrafa Suzana Cavenaghi, especialista em produção de dados. O embate entre o presidente do instituto, Márcio Pochmann, e o sindicato dos servidores tem se intensificado desde a criação da Fundação IBGE+, que permite a captação de recursos privados para financiar projetos da instituição.
Para Cavenaghi, essa estratégia contraria diretrizes internacionais sobre a independência de institutos estatísticos, que recomendam o uso exclusivo de verbas públicas ou de convênios amplos. A especialista ressalta que a solução para a questão orçamentária passa por negociações no Congresso, onde o IBGE precisa demonstrar a importância de seus dados para políticas públicas.
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A falta de estabilidade interna, segundo ela, pode comprometer a confiança da população nos levantamentos conduzidos pelo instituto. Se houver descrença na imparcialidade dos dados, entrevistados podem se recusar a participar de pesquisas ou fornecer informações imprecisas, o que prejudicaria a qualidade das estatísticas nacionais.
Diante do impasse, Cavenaghi avalia que uma mudança na liderança do IBGE pode ser necessária para restaurar o diálogo e a estabilidade. No entanto, pondera que a troca não garante automaticamente uma solução para os problemas enfrentados pelo órgão.
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Márcio Pochmann, por sua vez, minimizou as críticas e afirmou que divergências sobre sua gestão fazem parte do processo democrático. Durante um evento oficial, ele defendeu que as decisões tomadas visam garantir o funcionamento da instituição diante de dificuldades financeiras.



