15.1 C
São Paulo
sábado, junho 6, 2026

Senado derruba norma sobre aborto legal para menores vítimas de estupro; entenda o que muda

Leia mais

O Senado Federal aprovou a revogação da Resolução nº 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), norma que estabelecia diretrizes para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual nos casos previstos em lei para interrupção da gestação.

A medida foi aprovada por meio do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 3/2025, de autoria da deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ), com relatoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Como se trata de um decreto legislativo, o texto não depende de sanção presidencial e segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

A resolução do Conanda previa orientações para o Sistema Único de Saúde (SUS) sobre o acolhimento e atendimento de menores de idade que buscassem acesso ao aborto legal em casos de gravidez resultante de estupro, risco à vida da gestante ou anencefalia fetal.

++ Novo tarifaço de Trump contra o Brasil pode acabar na Justiça dos Estados Unidos

Entre os pontos estabelecidos pela norma estavam a garantia de atendimento prioritário, acesso a informações adequadas à idade da vítima, encaminhamento rápido para serviços especializados e medidas para evitar a revitimização durante o processo. O texto também previa sigilo e escuta especializada para a manifestação da vontade da criança ou adolescente.

Com a derrubada da resolução, essas diretrizes deixam de ter validade nacional. No entanto, a mudança não altera a legislação brasileira sobre aborto legal. O procedimento continua permitido nas hipóteses já previstas pelo Código Penal: gravidez decorrente de estupro, risco à vida da gestante e casos de anencefalia fetal reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A principal alteração ocorre na regulamentação do atendimento. Sem a resolução do Conanda, deixam de existir orientações unificadas para a rede pública de saúde sobre como conduzir esses casos envolvendo menores de idade.

Os defensores da revogação argumentam que o Conanda extrapolou suas atribuições ao criar normas que, na avaliação deles, tratam de temas que deveriam ser regulamentados pelo Poder Legislativo. Um dos pontos mais criticados foi a possibilidade de que determinados procedimentos fossem conduzidos sem a participação ou autorização dos pais ou responsáveis.

++ Trump cria mecanismo para analisar modelos de IA antes do lançamento público

Já entidades ligadas à proteção da infância e aos direitos das mulheres avaliam que a decisão pode gerar insegurança e ampliar as dificuldades de acesso ao aborto legal para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Segundo essas organizações, a ausência de um protocolo nacional poderá resultar em diferenças de atendimento entre estados e municípios.

Com a revogação da resolução, cada rede local de saúde passa a ter maior autonomia para definir procedimentos administrativos e fluxos de atendimento, desde que respeitadas as garantias previstas na legislação vigente.

Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Últimas notícias