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sábado, junho 6, 2026

Inteligência artificial já gera mais tráfego na internet do que humanos, aponta levantamento

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Pela primeira vez desde a criação da internet, sistemas de inteligência artificial passaram a gerar mais tráfego online do que usuários humanos. A informação foi divulgada pela Cloudflare, uma das maiores empresas de infraestrutura digital do mundo, que aponta que agentes de IA já são responsáveis por 57,4% das requisições registradas na web, enquanto os acessos realizados diretamente por pessoas representam 42,6%.

Os dados foram compartilhados pelo CEO e cofundador da empresa, Matthew Prince, que afirmou ter sido surpreendido pela velocidade da mudança. Segundo ele, a expectativa era que essa ultrapassagem ocorresse apenas no final de 2027, mas a expansão acelerada dos sistemas baseados em inteligência artificial antecipou o cenário em mais de um ano.

A mudança está diretamente relacionada ao crescimento dos chamados agentes de IA, ferramentas capazes de navegar pela internet de forma autônoma para buscar informações, comparar conteúdos, visitar páginas e reunir dados que serão utilizados por chatbots e assistentes virtuais para responder às solicitações dos usuários.

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Diferentemente dos tradicionais robôs de indexação utilizados por mecanismos de busca, esses agentes realizam milhares de consultas simultaneamente para cumprir uma única tarefa, aumentando significativamente o volume de acessos gerados por sistemas automatizados.

Na prática, isso significa que, embora os seres humanos continuem consumindo e produzindo conteúdo, são as inteligências artificiais que hoje realizam a maior quantidade de visitas e consultas na rede.

O levantamento também mostra diferenças importantes entre as regiões do mundo. Na América do Norte, os agentes automatizados já respondem por quase 69% do tráfego online. Em contrapartida, países da América do Sul, Ásia e Oceania ainda registram predominância de atividade humana em boa parte do tempo.

Em alguns locais, o fenômeno é ainda mais intenso. Segundo a Cloudflare, durante determinados períodos do dia, até 97% do tráfego registrado em Gibraltar é gerado por bots. Já países como Cuba e Laos mantêm ampla predominância de acessos realizados por pessoas.

O avanço dos agentes de inteligência artificial reacendeu debates sobre a chamada “Teoria da Internet Morta”, hipótese segundo a qual grande parte da atividade online passaria a ser produzida por sistemas automatizados em vez de usuários reais.

Apesar disso, Matthew Prince rejeita essa interpretação. Para ele, a inteligência artificial não está substituindo a participação humana, mas ampliando a capacidade de criação de conteúdo e de acesso à informação. Segundo o executivo, ferramentas de IA permitem que mais pessoas produzam materiais digitais sem necessidade de conhecimentos técnicos avançados em programação ou design.

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A transformação também levanta discussões sobre o futuro da economia da internet. Como os agentes de IA não clicam em anúncios nem consomem conteúdo da mesma forma que os usuários humanos, especialistas começam a questionar a sustentabilidade dos modelos atuais de monetização.

Entre as alternativas debatidas pelo setor está a criação de mecanismos que permitam cobrar dos sistemas automatizados pelo acesso a conteúdos produzidos por sites, veículos de comunicação e criadores independentes. Para analistas, esse poderá ser um dos principais desafios da internet nos próximos anos, à medida que a presença da inteligência artificial se torna cada vez mais dominante na rede.

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