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domingo, agosto 23, 2026

Fabricante do Mounjaro compra empresa de psicodélicos por quase R$ 20 bilhões

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A Eli Lilly & Co., fabricante do Mounjaro, anunciou a compra da AtaiBeckley por um valor que pode chegar a US$ 3,8 bilhões, ou aproximadamente R$ 19,7 bilhões. O negócio amplia a atuação da farmacêutica no desenvolvimento de tratamentos psicodélicos e tem como principal ativo o BPL-003, spray nasal de ação rápida estudado para casos de depressão resistente a tratamentos convencionais.

Pelos termos da operação, a Lilly pagará US$ 6,75 por ação, o equivalente a cerca de R$ 34,99, em dinheiro aos acionistas da AtaiBeckley. O valor poderá ser acrescido de até US$ 2,50 por ação, aproximadamente R$ 12,95, caso determinadas metas relacionadas ao desenvolvimento dos medicamentos sejam alcançadas.

O pagamento inicial está estimado em US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 14,5 bilhões. Outros US$ 1 bilhão, aproximadamente R$ 5,2 bilhões, poderão ser pagos conforme o cumprimento dos marcos previstos no acordo.

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O principal ativo da AtaiBeckley é o BPL-003, um spray nasal psicodélico desenvolvido para o tratamento da depressão resistente a tratamentos convencionais. Em estudos clínicos de fase intermediária, pacientes apresentaram melhora dos sintomas depressivos dois dias após uma única dose, com benefícios que permaneceram por até oito semanas.

O medicamento recebeu da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, a designação de Breakthrough Therapy, concedida a tratamentos considerados potencialmente capazes de representar avanço em relação às terapias existentes.

A AtaiBeckley também desenvolve medicamentos voltados ao transtorno de ansiedade social. A empresa foi fundada pelo empreendedor alemão Christian Angermayer e conta com o apoio do bilionário Peter Thiel.

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Um dos pontos apresentados pela companhia como diferencial do BPL-003 é a duração da experiência psicodélica, estimada entre uma e duas horas. Segundo a empresa, esse período é menor do que o necessário para o acompanhamento de pacientes em tratamentos concorrentes.

“Queríamos realmente algo que fosse fácil de usar tanto para os pacientes quanto para os médicos. Algo que pudesse ser facilmente incorporado ao modelo de tratamento já utilizado com o Spravato”, afirmou o CEO da AtaiBeckley, Srinivas Rao, em entrevista recente à Bloomberg.

A aquisição ocorre em meio ao avanço dos medicamentos psicodélicos no setor farmacêutico. Segundo estimativas da Bloomberg Intelligence citadas no material, o mercado de tratamentos psicodélicos pode alcançar US$ 7 bilhões, cerca de R$ 36,3 bilhões, em vendas até 2032.

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A Lilly mantém investimentos na área de neurociências, apesar de ter se tornado conhecida principalmente pelos medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes. A empresa também atua no desenvolvimento de tratamentos para Alzheimer e de analgésicos não viciantes.

Em publicação no X, Christian Angermayer afirmou que, em 2014, quando começou a defender a retomada dos psicodélicos na medicina, “a proposta era amplamente vista como uma ideia maluca, praticamente sem nenhuma chance de sucesso. Hoje, a medicina psicodélica parece quase inevitável. Naquela época, era tudo, menos isso”.

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