Pesquisadores desenvolveram uma ferramenta baseada em inteligência artificial (IA) capaz de aumentar a precisão da edição genética e reduzir significativamente alterações indesejadas no DNA. Os resultados, publicados na revista científica Nature, representam um avanço importante para uma das tecnologias mais promissoras da medicina moderna.
A edição genética permite modificar o material genético de organismos vivos, possibilitando a correção de mutações associadas a doenças hereditárias, além de aplicações em áreas como agricultura e biotecnologia. Embora métodos como o CRISPR tenham revolucionado esse campo, ainda existe o desafio de evitar mudanças em regiões do DNA que não deveriam ser alteradas.
Para enfrentar esse problema, cientistas chineses desenvolveram a plataforma ContactSeek, que utiliza inteligência artificial para identificar quais componentes dos editores genéticos são responsáveis pelas chamadas edições “fora do alvo” — alterações que acontecem em locais não planejados do genoma.
A tecnologia funciona em conjunto com o AlphaFold3, sistema de IA capaz de prever como moléculas biológicas interagem entre si. A partir dessas análises, o ContactSeek identifica os pontos que aumentam o risco de erros e sugere modificações na estrutura das proteínas utilizadas durante a edição genética.
Segundo os pesquisadores, essa abordagem permite avaliar com mais precisão a interação entre os editores genéticos, o DNA e o RNA-guia responsável por direcionar a ferramenta até o trecho correto do genoma.
“O ContactSeek representa uma abordagem computacional para aprimorar a especificidade de editores genômicos”, escreveram os autores do estudo. “A probabilidade de contato é um resultado mais sensível do que a estrutura 3D prevista para distinguir interações diferenciais.”
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Resultados promissores
Para testar a eficácia da plataforma, a equipe aplicou a tecnologia em um editor de base de adenina, utilizado para corrigir mutações envolvendo uma única base do DNA. Após as alterações sugeridas pela inteligência artificial, o equipamento apresentou uma redução de aproximadamente 83% nas modificações indesejadas em um dos testes realizados.
Os pesquisadores também conseguiram melhorar a precisão de outro sistema de edição genética, baseado na enzima Cas12a e voltado para a edição de bases de citosina, demonstrando que a metodologia pode ser aplicada a diferentes ferramentas.
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Aplicação clínica ainda depende de novos estudos
Apesar dos resultados considerados promissores, os cientistas ressaltam que a tecnologia ainda precisa passar por novas etapas de validação antes de chegar à prática clínica. Entre os próximos desafios estão os testes em diferentes tipos celulares e em uma variedade maior de alvos genéticos.
A expectativa dos autores é que, no futuro, a plataforma possa ser utilizada para tornar mais seguras diversas técnicas de edição de DNA e RNA, ampliando seu potencial em tratamentos de doenças genéticas e em outras aplicações biomédicas.
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