
Indústria de fundos no Brasil registra captação líquida recorde de R$ 184,7 bi no 1º semestre de 2026. (Foto: Instagram)
Uma combinação de juros elevados e a busca por segurança impulsionou a indústria de fundos de investimento no Brasil no primeiro semestre de 2026. De acordo com dados da Anbima, os fundos registraram uma captação líquida de R$ 184,7 bilhões entre janeiro e junho, um aumento de 120% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo entre aplicações e resgates foi de R$ 84 bilhões.
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O destaque principal foi a categoria de renda fixa, que representou mais da metade da captação do período. Os fundos deste segmento atraíram R$ 108,4 bilhões líquidos, um crescimento de 36,6% em comparação com o primeiro semestre de 2025. Este desempenho reflete o cenário de juros altos, com a taxa Selic em 14,25% ao ano, favorecendo aplicações mais conservadoras.
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Enquanto o DI acumulou um ganho bruto de 6,8% no semestre, os fundos multimercados apresentaram retornos entre 2,1% e 5,1%, dependendo da estratégia adotada.
Dentro do segmento de renda fixa, os fundos com maior exposição a crédito privado tiveram desempenho mais modesto. Entre janeiro e maio, a captação líquida dessa categoria foi de R$ 14,4 bilhões, recuperando-se dos resgates de 2025, mas ainda inferior aos segmentos focados em títulos públicos. Além disso, o retorno médio dos fundos de crédito privado foi de cerca de 3,1%, abaixo dos aproximadamente 6% dos fundos de renda fixa simples.
Outras categorias também tiveram entradas líquidas significativas. Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) captaram R$ 30,6 bilhões no semestre, enquanto os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) somaram R$ 32,1 bilhões. Apesar dos números positivos, ambos ficaram aquém dos resultados do mesmo período no ano anterior.
Na renda variável, o cenário continuou desafiador, embora os resgates tenham diminuído. Os fundos de ações registraram saídas líquidas de R$ 6,5 bilhões, bem abaixo dos R$ 41,5 bilhões retirados no primeiro semestre de 2025. Já os multimercados tiveram resgates de R$ 9,9 bilhões, comparados a retiradas de R$ 65,2 bilhões um ano antes.
Os ETFs (fundos de índice negociados em Bolsa) mantiveram forte expansão, com uma captação líquida de R$ 32,5 bilhões no semestre, em comparação aos R$ 5,1 bilhões do mesmo período do ano passado.
Impulsionada principalmente pela renda fixa, a indústria de fundos encerrou junho com um patrimônio líquido de R$ 11,1 trilhões, um crescimento de 10% em relação ao mesmo período de 2025. O número de investidores também aumentou, de 41,7 milhões para 45,6 milhões de contas. Além disso, a quantidade de fundos em operação cresceu 5,2%, totalizando 33.927 produtos disponíveis no mercado.



