Representantes do setor empresarial brasileiro e norte-americano intensificaram os esforços para impedir a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Em carta conjunta enviada aos governos dos dois países, as entidades defendem a ampliação das negociações antes da conclusão da investigação comercial conduzida por Washington.
O documento foi assinado pela Amcham Brasil, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela U.S. Chamber of Commerce. No Brasil, a correspondência foi encaminhada ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Nos Estados Unidos, o texto foi enviado ao representante comercial Jamieson Greer e ao secretário de Estado, Marco Rubio.
As entidades afirmam que uma solução negociada é a melhor alternativa para preservar a relação econômica entre os dois países e evitar prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores.
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Entre as prioridades sugeridas estão a ampliação do acesso ao mercado para produtos industriais, bens de capital e projetos ligados à inteligência artificial e centros de dados, além do fortalecimento da cooperação regulatória em setores como indústria automotiva, farmacêutica, saúde e equipamentos médicos.
A carta também propõe ampliar a cooperação em minerais estratégicos, acelerar a análise de pedidos de patentes no Brasil, reforçar o combate à pirataria, manter a moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre tarifas para transmissões eletrônicas e implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do ATEC.
Na avaliação das entidades, esse entendimento inicial poderá abrir espaço para negociações mais amplas envolvendo comércio eletrônico, segurança energética, inovação, descarbonização da indústria, agricultura, transporte e fortalecimento das cadeias produtivas entre os dois países.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou a urgência de um acordo diante da proximidade da decisão final do governo norte-americano. Segundo ele, um entendimento antes do encerramento da investigação permitiria evitar novas tarifas e fortalecer a cooperação econômica bilateral.
A mobilização ocorre após o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmar que a conclusão da investigação baseada na Seção 301 será anunciada em breve. O processo apura supostas práticas comerciais consideradas desleais por Washington e pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Se confirmada, a nova tarifa deverá entrar em vigor em 15 de julho.
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