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sexta-feira, agosto 7, 2026

Estudo identifica proteína que pode abrir caminho para novas terapias contra o câncer

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Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificaram uma proteína que pode se tornar um importante alvo no desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer. O estudo revelou que a sindecam-4 (SDC4), presente na superfície das células, desempenha um papel fundamental na sobrevivência e na propagação de células tumorais, especialmente durante o processo de metástase.

Os resultados, publicados na revista científica Cytotechnology, indicam que a redução da atividade dessa proteína pode limitar o crescimento dos tumores e, no futuro, contribuir tanto para o desenvolvimento de terapias quanto para o diagnóstico de diferentes tipos de câncer.

Segundo a coordenadora da pesquisa, a professora Carla Cristina Lopes, do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp, os experimentos demonstraram que o bloqueio da SDC4 interfere diretamente na capacidade de multiplicação das células cancerígenas.

“A estratégia de silenciar essa molécula tem potencial para impedir a proliferação de células cancerosas, mas ainda estamos em fases iniciais da pesquisa e seria necessário validar os resultados em cada caso específico da doença”, explicou a pesquisadora à Agência FAPESP.

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Durante o estudo, os cientistas investigaram um processo conhecido como anoikis, mecanismo natural que leva uma célula à morte quando ela perde contato com o tecido ao qual pertence. Esse sistema impede que células saudáveis sobrevivam após se desprenderem de seu ambiente de origem.

No entanto, células tumorais mais agressivas conseguem escapar desse mecanismo. Elas desenvolvem resistência à anoikis, permanecem vivas após se desprenderem do tumor original e passam a circular pelo organismo, favorecendo o surgimento de metástases em outros órgãos.

A pesquisa mostrou que níveis elevados da proteína SDC4 contribuem justamente para essa resistência, protegendo as células cancerígenas e permitindo que elas sobrevivam durante o processo de disseminação.

Os experimentos foram realizados inicialmente com células endoteliais de coelhos cultivadas em laboratório. Os pesquisadores impediram que essas células permanecessem aderidas a uma superfície, simulando as condições que normalmente desencadeiam a anoikis.

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Apenas uma pequena parcela das células conseguiu sobreviver. Essas células apresentaram um aumento expressivo na produção da proteína SDC4 e passaram a exibir características associadas a maior agressividade.

Na etapa seguinte, a equipe utilizou técnicas de engenharia genética para reduzir a expressão da proteína. Após o bloqueio da SDC4, as células perderam parte dessa resistência e voltaram a apresentar um comportamento semelhante ao de células normais.

Os pesquisadores também observaram um aumento na produção da proteína p27, responsável por frear a divisão celular ao controlar a atividade das CDKs, moléculas que regulam a multiplicação das células.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que os testes ainda foram realizados apenas em laboratório e precisam ser reproduzidos em células humanas antes que a descoberta possa ser aplicada na prática clínica.

Paralelamente, a equipe da Unifesp desenvolve uma nova linha de pesquisa para avaliar se o canabidiol (CBD), composto não psicoativo extraído da Cannabis sativa, é capaz de modular a atividade da proteína SDC4 e reduzir a resistência das células tumorais à anoikis, o que poderá ampliar as possibilidades de tratamento no futuro.

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