Enquanto o mundo acompanha a Copa do Mundo de 2026, um grupo de pesquisadores decidiu transformar a tensão das partidas em ciência. A Universidade de Bielefeld, na Alemanha, está conduzindo um estudo chamado “Football Fever” que usa os dados de smartwatches para investigar o que acontece com o corpo dos torcedores durante os jogos, e ainda está à procura de voluntários.
O projeto monitora automaticamente frequência cardíaca, níveis de estresse, movimentação e qualidade do sono por meio dos próprios dispositivos dos participantes, e os dados são coletados de forma anônima, em conformidade com as normas de proteção de dados. A proposta é justamente aproveitar a tecnologia que muitas pessoas já carregam no pulso no dia a dia.
Christian Deutscher, co-líder do projeto e especialista em ciências do esporte, explicou em comunicado a motivação central da pesquisa: “Queremos entender se torcedores de diferentes seleções reagem com intensidades distintas a um mesmo evento dentro do campo, por exemplo, se um gol é fisiologicamente diferente para um alemão, um turco ou um brasileiro.” Para ele, a Copa do Mundo oferece uma janela de investigação única: “O Mundial cria uma situação ideal para a pesquisa, porque coloca torcedores do mundo inteiro diante das mesmas situações emocionais ao mesmo tempo.”
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A base científica do estudo não parte do zero. Durante a final da Copa da Alemanha em 2025, a equipe coletou dados de 229 torcedores do DSC Arminia Bielefeld ao longo de 12 semanas e encontrou diferenças expressivas entre quem estava no estádio e quem assistia pela televisão. Os presentes no Estádio Olímpico de Berlim registraram uma média de 94 batimentos cardíacos por minuto, enquanto os que acompanharam pelo TV marcaram apenas 79. Nos momentos seguintes aos gols, os torcedores dentro do estádio chegaram a apresentar um aumento de até 36% na frequência cardíaca.
Os pesquisadores também avaliam se os efeitos emocionais de uma partida vão além dos 90 minutos, investigando se uma partida tensa disputada à noite, por exemplo, deixa rastros não apenas nos batimentos durante o jogo, mas também no sono da madrugada.
Para a Copa de 2026, a equipe ampliou significativamente o alcance do estudo. Iniciado em 28 de maio apenas com suporte para dispositivos Garmin, o projeto passou a aceitar dados de mais 12 marcas, entre elas Apple Watch, Google Pixel Watch, Samsung Health, Fitbit, Oura, Polar, Amazfit, Whoop e Xiaomi Mi Fitness. Torcedores de todas as seleções são bem-vindos, embora participantes do Leste e Sul da Europa e da Turquia ainda estejam sub-representados na base de dados.
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Quem quiser contribuir ainda tem tempo. Christiane Fuchs, co-líder do projeto e responsável pelo grupo de Ciência de Dados da universidade, garantiu que a adesão tardia não compromete a contribuição: “Qualquer pessoa que queira assistir a algumas partidas ainda pode participar. Até mesmo jogos individuais nos fornecem dados valiosos.”
A equipe planeja divulgar resultados parciais ao longo do torneio, especialmente após as partidas da seleção alemã. Para participar, basta acessar o site oficial do projeto Football Fever e se cadastrar gratuitamente.
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