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quarta-feira, setembro 16, 2026

O detalhe da Copa que virou lição de cultura para o mundo todo

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A nova cerimônia pré-jogo da Copa do Mundo de 2026 não tardou a chamar atenção. A FIFA reformulou o protocolo de abertura para que todos os 26 jogadores de cada seleção se posicionem ao redor do círculo central enquanto enormes bandeiras das duas equipes são estendidas pelo gramado durante os hinos nacionais. O objetivo, segundo a entidade, é criar uma experiência mais imersiva para o torcedor. Mas quando a Arábia Saudita entrou em campo contra o Uruguai, no dia 15 de junho em Miami, o ritual ganhou um detalhe que escapou ao padrão — e que rapidamente viralizou.

Enquanto as bandeiras de todas as outras seleções foram estendidas no gramado como parte do protocolo padrão, a bandeira saudita foi mantida elevada por voluntários durante toda a cerimônia. Para preservar a simetria visual, a bandeira uruguaia também foi erguida.

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A razão vai muito além da estética. A bandeira da Arábia Saudita traz inscrita a Shahada — a declaração islâmica de fé, que em tradução livre significa “Não há Deus além de Deus, e Maomé é o Seu Mensageiro”. Por causa desse caráter sagrado, regras rigorosas governam a forma como ela pode ser exibida: é proibido baixá-la de maneira que pareça desrespeitosa, e ela não pode, em hipótese alguma, tocar o solo. Fazê-lo seria considerado não apenas uma ofensa cultural, mas potencialmente um ato de blasfêmia.

Entre as 48 seleções que disputam este Mundial, a Arábia Saudita é a única cujo pavilhão nacional carrega essa proibição específica — o que a torna um caso singular no contexto da Copa. Em vez de exigir que o país se adaptasse ao protocolo padrão, a FIFA ajustou sua cerimônia multimilionária para respeitar a exigência religiosa, com voluntários sustentando a bandeira no ar durante todo o ritual dos hinos.

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O mesmo raciocínio se aplicou ao jogo do Iraque contra a Noruega. A bandeira iraquiana traz a expressão “Allahu Akbar” — “Deus é o Maior” —, e embora não exista uma lei tão específica quanto a saudita, a tradição islâmica também incentiva tratamento diferenciado ao símbolo nacional. Para manter o equilíbrio visual entre as equipes, a bandeira norueguesa foi igualmente erguida.

A decisão da FIFA de respeitar o protocolo saudita num Mundial sediado nos Estados Unidos foi recebida como um gesto positivo nas relações entre o país-anfitrião e o mundo árabe — um sinal de que, mesmo num torneio marcado pela uniformidade e pelo simbolismo corporativo, há espaço para a diversidade cultural. Nas redes sociais, a reação predominante não foi de crítica, mas de curiosidade — com torcedores de todo o mundo buscando entender o significado por trás daquele detalhe aparentemente pequeno no gramado de Miami.

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