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quinta-feira, agosto 20, 2026

O assalto ao Louvre irá virar filme

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Em questão de minutos, na manhã de 19 de outubro de 2025, ladrões disfarçados de operários invadiram o Museu do Louvre e fugiram com cerca de US$ 100 milhões em joias históricas. O crime chocou a França, derrubou a diretora do museu e permanece sem desfecho até hoje. Agora, vai ganhar duas versões para as telas.

O cineasta francês Romain Gavras assinou o projeto de longa-metragem baseado no livro de investigação “Main basse sur le Louvre” — algo como “O golpe do Louvre”, em tradução livre —, cujos direitos foram adquiridos pela produtora Iconoclast. Paralelamente, uma produtora britânica ainda não identificada trabalha numa série documental baseada na mesma obra.

O livro, lançado em maio pela editora Flammarion, é assinado pelos jornalistas Jean-Michel Décugis, do Le Parisien, Jérémie Pham-Lê, do Le Monde, e Nicolas Torrent, da Paris Match. Segundo informações da revista Le Film Français, as filmagens do longa podem começar no próximo ano, com estreia nos cinemas prevista para 2028. O roteiro será desenvolvido por Gavras ao lado de Simon Jacquet e Mourad Winter, combinando a reconstituição do assalto, a cobertura midiática e os bastidores da investigação.

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Gavras tem 44 anos e um histórico de cinema marcado pela tensão social e pela energia visual intensa. Seu filme “Athena” estreou na competição do Festival de Veneza em 2022 e lhe rendeu tanto admiradores quanto críticos. Seu trabalho mais recente, “Sacrifice”, com Anya Taylor-Joy no elenco, chegou ao Festival de Toronto em 2025, mas recebeu avaliações negativas. O assalto ao Louvre parece território mais familiar para o diretor, que é filho do renomado cineasta Costa-Gavras.

O crime em si já tem contornos cinematográficos. Os investigadores afirmam que quatro ladrões mascarados usaram um veículo com plataforma elevatória hidráulica para acessar a varanda do primeiro andar do museu enquanto se passavam por trabalhadores de construção. Eles invadiram a Galeria Apolo, onde estão guardadas as Joias da Coroa francesa, e escaparam antes que as autoridades pudessem agir. Os autores do livro argumentam que o roubo demonstra como o furto de obras de arte tornou-se uma empresa criminosa tão lucrativa quanto assaltos a bancos ou ataques a carros-fortes.

O perfil dos suspeitos presos, no entanto, desafia o roteiro clássico do gênero. De acordo com a promotora responsável pelo caso, tratava-se de criminosos de pequeno porte oriundos dos subúrbios ao norte de Paris — nada parecido com os especialistas frios e calculistas dos filmes de assalto. Eles cometeram erros grosseiros na fuga, deixando para trás ferramentas utilizadas no crime e sem destruir o caminhão de mudança usado na operação. A joia mais valiosa do lote, a coroa da imperatriz Eugênia — feita de ouro, diamantes e esmeraldas —, caiu durante a fuga e foi encontrada danificada no local.

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O crime desencadeou uma crise institucional no Louvre e acabou levando à saída de Laurence des Cars, a primeira mulher a dirigir o museu. Sete meses após a prisão dos principais suspeitos, as joias ainda não foram recuperadas. Especialistas cogitam que atravessadores tenham desmontado as peças, separado as pedras preciosas e fundido o ouro.

O interesse audiovisual pelo caso não é novo. A CNN lançou um documentário de 44 minutos apenas uma semana após o assalto, e o Discovery Channel respondeu com o seu próprio especial um mês depois. Agora, com o longa de Gavras e a série documental em desenvolvimento, o episódio ganha uma nova camada — desta vez, com tempo, recursos e a perspectiva de quem reconstruiu a história a partir de dentro.

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