O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento divulgou nesta terça-feira (26) um novo relatório mostrando que o Brasil atingiu, pela primeira vez, o patamar de país com desenvolvimento humano muito alto. Apesar do avanço histórico, o estudo alerta que o país ainda convive com profundas desigualdades sociais, econômicas, raciais e regionais.
Segundo o levantamento Radar IDHM: Evolução do IDHM e de seus componentes – período de 2012 a 2024, o Brasil alcançou índice de 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), ultrapassando pela primeira vez a faixa considerada de desenvolvimento muito alto.
Com o resultado, o país passou a integrar o grupo de 74 nações classificadas nesse nível, ao lado de países como Noruega, Suíça, Alemanha e Estados Unidos.
O índice brasileiro saiu de 0,744 em 2012 para 0,805 em 2024, crescimento de 0,061 ponto ao longo de 13 anos. O avanço só foi interrompido temporariamente durante os anos mais críticos da pandemia de Covid-19, quando houve retração nos indicadores.
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O IDHM mede a qualidade de vida da população com base em três pilares principais: renda, educação e expectativa de vida. A escala varia de 0 a 1 — quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.
Apesar do avanço geral, o relatório mostra que as desigualdades continuam impactando fortemente os indicadores brasileiros. Quando o índice é ajustado às desigualdades sociais, o chamado IDHM ajustado à Desigualdade cai para 0,641, recolocando o Brasil na faixa de desenvolvimento médio.
As diferenças aparecem também na comparação entre homens e mulheres. Em 2024, o IDHM masculino atingiu 0,802, considerado muito alto, enquanto o feminino ficou em 0,798, ainda classificado como alto desenvolvimento humano.
O estudo também destaca disparidades raciais persistentes. Pessoas brancas registraram IDHM de 0,851, enquanto a população negra alcançou 0,774.
“A marcante desigualdade racial no Brasil é evidenciada pelos diferentes patamares alcançados entre a população negra e a população branca”, aponta o relatório.
As diferenças regionais também chamam atenção. O Distrito Federal aparece como a unidade da federação com maior IDHM do país. A expectativa de vida na região chega a 79,75 anos, enquanto estados com índices mais baixos apresentam números significativamente inferiores.
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Na educação, o contraste também é expressivo. Enquanto mais de 83% da população adulta do Distrito Federal concluiu o ensino fundamental, estados como a Paraíba apresentam percentuais bem menores.
A desigualdade de renda segue como outro dos principais desafios apontados pelo levantamento. A renda domiciliar per capita no Distrito Federal chegou a R$ 1.465,10 em 2024, enquanto no Maranhão — estado com menor IDHM do país — o valor médio ficou em R$ 482,46.
O relatório foi produzido em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e a Fundação João Pinheiro.
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