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sexta-feira, agosto 7, 2026

Dólar sobe com petróleo, sinais de Trump e tensão geopolítica

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Dólar em ligeira alta reflete tensão geopolítica e cenário doméstico (Foto: Instagram)

O dólar está em alta nesta quinta-feira (21/5), em meio às incertezas globais, devido à indefinição sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã, sinais contraditórios do presidente Donald Trump, e um novo foco de tensão internacional com a acusação criminal dos EUA contra o ex-ditador de Cuba, Raúl Castro.

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No cenário doméstico, o destaque da agenda econômica é a divulgação dos dados oficiais de arrecadação de abril pela Receita Federal. Os investidores também acompanham o noticiário político, em meio ao acirramento da pré-campanha presidencial.

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DÓLAR

  • Às 9h06, a moeda americana subia 0,18%, cotada a R$ 5,013.
  • Na véspera, o dólar encerrou a sessão com queda de 0,74%, a R$ 5,003.
  • Com esse resultado, a moeda dos EUA acumula alta de 1,04% no mês e queda de 8,84% frente ao real no ano.

IBOVESPA

  • As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
  • No dia anterior, o índice fechou em forte alta de 1,77%, aos 177,3 mil pontos.
  • Com isso, a Bolsa brasileira acumula queda de 5,32% em maio e valorização de 10,07% em 2026.

SINAIS CONTRADITÓRIOS DE TRUMP
A guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços internacionais do petróleo continuam influenciando os mercados globais.

O otimismo dos investidores na véspera foi impulsionado por uma declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que a guerra com o Irã no Oriente Médio pode terminar "muito rapidamente". Ele reforçou a narrativa ao afirmar que Washington está "nos estágios finais de negociação" pela paz com Teerã.

As declarações foram feitas a parlamentares na Casa Branca. Contudo, elas contradizem o discurso anterior de Trump, gerando dúvidas entre os agentes do mercado.

Na última terça-feira (19/5), Trump afirmou que poderia "precisar atacar o Irã novamente". "Espero que não tenhamos de voltar com a guerra, mas podemos ter de dar a eles (Irã) outro grande golpe… Ainda não tenho certeza. Vocês saberão muito em breve", disse.

O presidente americano também revelou que, na segunda-feira (18/5), esteve a apenas uma hora de autorizar uma ofensiva contra o Irã, mas decidiu adiar a ação após pedidos de líderes do Oriente Médio.

Segundo o republicano, o ataque estava previsto para ocorrer na terça, mas foi suspenso diante da possibilidade de avanço nas negociações diplomáticas envolvendo o conflito.

Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou que recebeu apelos do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani; do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman; e do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan.

“Fui solicitado […] a adiar o nosso planejado ataque militar contra a República Islâmica do Irã, que estava agendado para amanhã. Isso porque negociações sérias estão em andamento”, escreveu.

Diante de tantas idas e vindas, os preços internacionais do petróleo também vêm registrando forte oscilação nos últimos dias. Na manhã desta quinta-feira, por exemplo, eles operavam em alta.

Por volta das 8h45 (horário de Brasília), o contrato futuro para julho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) subia 2,22%, cotado a US$ 100,44.

No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) registrava alta de 1,74%, a US$ 106,85.

Na sessão de quarta-feira (20/5), o petróleo fechou em queda acentuada. O barril do tipo WTI caiu 5,7%, a US$ 98,26, enquanto o Brent recuou 5,62%, a US$ 105,02.

GUERRA NO IRÃ PODE AUMENTAR PREÇOS DOS ALIMENTOS, DIZ ONU
A guerra entre EUA, Israel e Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz podem provocar um aumento nos preços dos alimentos ao redor do mundo, alerta a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Segundo a FAO, a continuidade do bloqueio em Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, pode desencadear uma grave crise global de preços dos alimentos em seis a 12 meses.

Os impactos do bloqueio parcial da rota marítima, que persiste desde o fim de fevereiro, já são visíveis. De acordo com o Índice de Preços dos Alimentos da FAO, os preços internacionais de cestas de produtos alimentícios subiram pelo terceiro mês consecutivo em abril. O aumento é causado, principalmente, pelo preço do petróleo e interrupções no comércio de fertilizantes.

Diante desse cenário, a FAO fez recomendações para contornar a crise, como a mudança para rotas de transporte alternativas, como a Península Arábica e o Mar Vermelho, e o fim de restrições a exportações de petróleo, fertilizantes e insumos em Ormuz.

Apesar de embarcações de países não aliados aos EUA e Israel terem permissão para transitar no estreito, mediante pagamento de pedágio, Ormuz continua bloqueado parcialmente pelo Irã. Segundo Teerã, a medida é uma retaliação à guerra iniciada por forças americanas e israelenses no Oriente Médio.

NOVO FOCO DE TENSÃO: EUA X CUBA
Ainda no campo geopolítico, os investidores acompanham o aumento das tensões entre o governo Trump e a ditadura cubana. Na quarta-feira, Raúl Castro, ex-líder de Cuba, foi acusado criminalmente nos EUA.

Castro, de 94 anos, foi ministro da Defesa de Cuba antes de assumir a Presidência em 2008, após o afastamento por motivos de saúde de seu irmão, Fidel Castro. Ele deixou o cargo em 2018, dois anos após a morte de Fidel, mas continua sendo uma figura influente dentro do sistema político cubano.

Segundo os autos, o ex-presidente é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também são mencionadas como rés em uma moção dos EUA para tornar pública a acusação contra Castro.

A medida ocorre em meio ao aumento da pressão do governo Trump sobre Cuba e ao discurso de mudança de regime na ilha. Historicamente, acusações formais feitas pelos EUA contra líderes estrangeiros são raras.

“Os EUA não tolerarão um estado-pária que abriga operações militares, de inteligência e terroristas estrangeiras hostis a apenas 145 quilômetros do território americano”, disse Trump em um comunicado divulgado na quarta.

Nos últimos meses, Washington intensificou as sanções contra Havana e passou a ameaçar países que fornecem combustível ao governo cubano. A medida agravou a crise energética na ilha, provocando apagões e ampliando a pior crise econômica enfrentada pelo país em décadas.

Além disso, o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA anunciou a chegada do porta-aviões USS Nimitz à região do Caribe.

“O porta-aviões USS Nimitz, o grupo aéreo embarcado CVW-17, o USS Gridley e o USNS Patuxent são o epítome de prontidão e presença, alcance e letalidade incomparáveis ​​e vantagem estratégica”, declarou o Comando Sul dos EUA em uma publicação nas redes sociais.

O USS Nimitz possui 333 metros de comprimento e está em operação desde 1975. Segundo a Marinha americana, trata-se do porta-aviões de propulsão nuclear mais antigo ainda em atividade no mundo.

A embarcação tem capacidade para transportar dezenas de aeronaves militares e conta com uma tripulação de aproximadamente 6 mil pessoas.

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