
Dólar recua diante da ata do Fed e resultados da Nvidia (Foto: Instagram)
Nesta quarta-feira (20/5), o dólar apresenta queda enquanto os investidores se concentram no cenário internacional, com a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) e dos resultados trimestrais da Nvidia, a gigante norte-americana na fabricação de chips e a empresa mais valiosa do mundo.
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No Brasil, a situação eleitoral permanece como uma das principais preocupações do mercado. Na terça-feira, uma nova pesquisa sobre a corrida presidencial revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um possível segundo turno – após o vazamento de áudios do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
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DÓLAR
- Às 9h11, a moeda norte-americana caía 0,21% e era negociada a R$ 5,03.
- No dia anterior, o dólar fechou com alta de 0,85%, cotado a R$ 5,04.
- Com este desempenho, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,79% em maio e perdas de 8,17% frente ao real em 2026.
IBOVESPA
- As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
- Na véspera, o índice encerrou o dia com uma queda acentuada de 1,52%, aos 174,2 mil pontos, o menor nível desde janeiro.
- Com isso, a Bolsa brasileira acumula perdas de 6,96% no mês e uma valorização de 8,16% no ano.
ATA DO FEDERAL RESERVE
Tanto no mercado nacional quanto no internacional, a divulgação da ata da última reunião do Fed, o Banco Central dos EUA, é o principal foco dos investidores nesta quarta-feira.
O documento pode oferecer "indicações" sobre o futuro da taxa básica de juros na maior economia do mundo. Na última reunião do Fed, no final de abril, os juros permaneceram inalterados, entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores, em janeiro e março, os juros também foram mantidos nesse intervalo.
A taxa básica de juros é a principal ferramenta dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é esfriar a demanda aquecida, refletindo nos preços, pois juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem desacelerar a atividade econômica.
A decisão do BC dos EUA não foi unânime. Oito membros votaram pela manutenção dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller), enquanto quatro foram contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan).
A próxima reunião do Fed para decidir sobre a taxa de juros está marcada para os dias 16 e 17 de junho, já sem Jerome Powell à frente, cujo mandato terminou em 15 de maio. Ele segue como presidente interino até a posse do novo chefe, Kevin Warsh, indicado por Donald Trump e aprovado pelo Senado. Ainda não há data definida para sua posse.
Recentemente, o mercado voltou a temer um aumento na taxa de juros dos EUA. Segundo a plataforma FedWatch, do CME Group, a expectativa para a próxima reunião do Fed é que os juros se mantenham na faixa atual. No entanto, até o final do ano, já aumentou a probabilidade de um novo ciclo de altas.
NVIDIA DIVULGA BALANÇO
No cenário externo, os investidores também estão atentos à divulgação dos resultados financeiros trimestrais da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo e gigante dos semicondutores para inteligência artificial (IA).
O balanço da empresa deve indicar as perspectivas para o setor de IA nos próximos meses, seja otimista ou pessimista. As principais projeções de Wall Street apontam para um desempenho sólido da fabricante de chips.
Atualmente, a Nvidia ainda é a maior ação do mercado, representando quase 20% da alta do índice S&P 500 em 2026. Outras quatro fabricantes de chips – Micron Technology, Broadcom, Advanced Micro Devices e Intel – estão entre as sete empresas que mais impulsionaram o S&P 500 no ano.
ELEIÇÕES NO BRASIL
No Brasil, a disputa eleitoral continua a dominar o mercado, atraindo mais atenção à medida que novas pesquisas são divulgadas.
Na terça-feira (19/5), uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que Lula lidera as intenções de voto no primeiro e no segundo turnos contra Flávio Bolsonaro, após a divulgação de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As vantagens são de 12,7 e 7,1 pontos percentuais, respectivamente.
Na pesquisa anterior da AtlasIntel, realizada em abril, Lula tinha 46,6%, enquanto Flávio Bolsonaro somava 39,7% – uma queda de 5,4 pontos percentuais para o senador entre os levantamentos.
Sem Flávio na disputa, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) aparece em segundo, com 17% das intenções de voto. Nesse cenário, Lula lidera com 46,7%.
Na pesquisa anterior, realizada em abril, os dois estavam tecnicamente empatados, com uma leve vantagem para Flávio Bolsonaro, que tinha 47,8%, enquanto Lula somava 47,5%.
O levantamento revela que 95,6% dos entrevistados tomaram conhecimento do áudio e 65,2% disseram que as informações não os surpreenderam. Para 45,1%, a divulgação enfraqueceu "muito" a candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto 19% afirmaram que enfraqueceu "pouco".
A pesquisa foi feita após a notícia do site Intercept Brasil, na última quarta-feira (13/5), que mostrou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pagou cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os recursos foram solicitados por Flávio Bolsonaro, filho de Bolsonaro e pré-candidato do PL à Presidência.
Além do impacto político, o episódio teve consequências econômicas. Assim que a reportagem foi publicada com o áudio do pedido e das cobranças de Flávio a Vorcaro, o Ibovespa despencou e o dólar disparou, fechando novamente acima dos R$ 5, em um dia apelidado de "Flávio Day 2" no mercado.
O primeiro "Flávio Day" aconteceu em dezembro do ano passado, quando o senador foi escolhido por Jair Bolsonaro como candidato ao Palácio do Planalto – e a notícia fez a Bolsa despencar mais de 4%. Na época, o nome preferido pelo mercado para a corrida presidencial era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na terça-feira, o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles, informou que Flávio Bolsonaro visitou Daniel Vorcaro no final de 2025, logo após a primeira prisão do dono do Banco Master pela Polícia Federal.
A visita aconteceu na casa do banqueiro em São Paulo, quando ele já havia sido liberado da prisão e autorizado a ir para casa com algumas restrições.
A aliados, o próprio Flávio já havia admitido a visita a Vorcaro. O senador alegou que visitou o banqueiro para informar que não faria mais negócios com ele após a prisão.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025. Ele foi detido pela PF no Aeroporto de Guarulhos em São Paulo, quando tentava embarcar para o exterior.
O banqueiro, no entanto, foi solto pouco tempo depois. Na ocasião, a decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com sede em Brasília.
Apesar de estar em liberdade, o dono do Banco Master teve algumas restrições impostas, como o uso de tornozeleira eletrônica e a apresentação periódica à Justiça.
Vorcaro foi preso novamente em 4 de março de 2026. Desta vez, por ordem do ministro do STF André Mendonça, que alegou "risco concreto de interferência nas investigações".
Na ocasião, foi descoberto que Vorcaro mantinha uma espécie de milícia pessoal, com acesso a dados sigilosos da PF, comandada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário".
Após a reportagem, Flávio confirmou a visita a Vorcaro em um pronunciamento à imprensa feito após uma reunião com deputados e senadores do PL, na terça-feira (19/5), em Brasília. O senador, no entanto, não deu detalhes.
"Fui sim até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele. (…) Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história. Dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e o filme não correria risco", afirmou.



