
Ações da Estrela despencam com pedido de recuperação judicial (Foto: Instagram)
As ações da Estrela, famosa fabricante brasileira de brinquedos que marcou gerações, registraram forte queda no pregão desta quarta-feira (20/5) na Bolsa de Valores do Brasil (B3). A companhia anunciou que entrou com um pedido de recuperação judicial.
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O pedido foi protocolado na Comarca de Três Pontas (MG) e inclui outras empresas do grupo. No comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Estrela destacou a necessidade de reestruturar suas dívidas como principal motivo para a solicitação.
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As ações da Estrela (ESTR4) na B3 estavam em forte queda no final da manhã desta quarta-feira. Por volta das 11h10, os papéis da empresa caíam 18,85%, sendo cotados a R$ 3,66. As negociações haviam sido retomadas após mais de um mês, com o último registro em 9 de abril.
A Estrela mencionou no documento o aumento dos custos de capital e a restrição de crédito como grandes desafios enfrentados nos últimos anos. A empresa também citou mudanças no comportamento do consumidor e uma concorrência acirrada, inclusive nas plataformas digitais.
“O objetivo da recuperação judicial é permitir a superação da atual situação econômico-financeira, através da reorganização estruturada do endividamento, preservando a continuidade das atividades empresariais, os empregos e a geração de valor para todos os ‘stakeholders’”, afirmou a Estrela. No comunicado ao mercado, a empresa reafirmou sua confiança na continuidade de suas operações, mantendo suas atividades industriais, comerciais e administrativas, e o atendimento a clientes, parceiros e fornecedores, adotando as medidas necessárias para assegurar a continuidade de seus negócios ao longo do processo de reestruturação.
“De acordo com a legislação aplicável, a Companhia apresentará oportunamente seu plano de recuperação judicial, que será submetido à aprovação dos credores. A empresa manterá seus acionistas e o mercado em geral informados sobre quaisquer desdobramentos relevantes”, completou a companhia.
Fundada em 1937, a Estrela está prestes a completar 90 anos e se tornou uma das marcas mais conhecidas da indústria nacional de brinquedos nas últimas décadas. A empresa atravessou gerações e fez parte da infância de milhões de brasileiros.
Inicialmente, a Estrela era uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira. No século XX, a empresa se consolidou como um dos maiores símbolos de um importante setor da economia brasileira, sendo uma das primeiras a abrir capital em 1944.
A Estrela lançou produtos icônicos como o Banco Imobiliário (anos 1940), o Autorama (década de 1950) e o Genius (anos 1980, primeiro brinquedo eletrônico do país).
Entre os produtos mais emblemáticos estão Falcon, Comandos em Ação, Susi, Topo Gigio, Aquaplay, Fofolete, Ferrorama, Super Massa e bonecas como Gui Gui, Mãezinha e Moranguinho.
Desde os anos 2000, a Estrela passou por uma fase de “repaginação” de seus clássicos, utilizando mais tecnologia e ampliando sua presença em brinquedos colecionáveis e licenciados.
Apesar dos esforços de modernização, a empresa enfrentou dificuldades para competir com produtos importados mais baratos e, nos últimos anos, com jogos digitais e redes sociais, populares entre o público infantil.
Atualmente, a Estrela possui um escritório central em São Paulo e fábricas no interior paulista, em Minas Gerais e Sergipe.
A recuperação judicial é um processo que permite às empresas renegociar suas dívidas, evitando o encerramento das atividades, demissões ou falta de pagamento aos funcionários. Esse instrumento desobriga as empresas de pagar aos credores por um tempo, mas exige a apresentação de um plano para acertar as contas e continuar operando. Em resumo, é uma tentativa de evitar a falência.



