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terça-feira, agosto 25, 2026

Estudo brasileiro testa substância psicodélica como possível tratamento contra alcoolismo

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Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo investigou o uso da ibogaína como possível alternativa no tratamento da dependência alcoólica. Os resultados iniciais indicam redução no consumo de álcool entre participantes, mas ainda levantam preocupações sobre segurança e eficácia.

A pesquisa foi realizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e acompanhou nove voluntários submetidos a diferentes protocolos com a substância. Segundo a coordenadora do estudo, Juliana Mendes Rocha, o composto já vinha sendo analisado em contextos de dependência química, o que motivou sua aplicação também no alcoolismo.

Os participantes receberam doses variadas de ibogaína, em sessões únicas ou escalonadas. Ao final do acompanhamento, dois voluntários permaneceram sem consumir álcool durante três meses. Entre aqueles que também faziam uso de cocaína, houve redução na frequência ou na quantidade consumida.

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A ibogaína é um composto extraído da planta Tabernanthe iboga, tradicionalmente utilizada em rituais religiosos. Seus efeitos incluem alterações na percepção, no tempo e no estado emocional, o que levanta interesse científico — mas também preocupações médicas.

Apesar dos resultados considerados promissores, os próprios pesquisadores destacam que o estudo ainda é preliminar e não permite aplicação clínica. “O estudo neste momento ainda não é suficiente para embasar o uso da ibogaína no tratamento de uso de substância”, afirmou Juliana Rocha.

Outro ponto crítico envolve os riscos associados ao composto. A ibogaína pode provocar efeitos adversos graves, como arritmias cardíacas, e não possui segurança comprovada. Além disso, seu uso é proibido no Brasil, sendo permitido apenas em pesquisas autorizadas.

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Especialistas ressaltam que o desenvolvimento de novos tratamentos exige etapas rigorosas de validação, com estudos mais amplos e acompanhamento prolongado para garantir eficácia e segurança.

A pesquisa abre caminho para novas investigações sobre terapias alternativas no combate ao alcoolismo, mas reforça que qualquer avanço ainda depende de evidências científicas mais robustas.

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