A Cidade do México enfrenta um problema silencioso, porém crescente: o afundamento gradual de seu solo. Novas medições feitas por satélites indicam que algumas regiões da capital mexicana estão cedendo a um ritmo de até 2 centímetros por mês — o equivalente a cerca de 25 centímetros por ano.
Os dados foram obtidos pelo satélite NISAR, desenvolvido em parceria entre a NASA e a agência espacial indiana. Equipado com tecnologia de radar de alta precisão, o equipamento consegue detectar mudanças milimétricas na superfície terrestre, revelando com detalhes a velocidade do fenômeno.
A principal causa está na exploração intensa de água subterrânea. Construída sobre o antigo leito de um lago, a cidade sofre há décadas com a retirada contínua de água de aquíferos, o que leva à compactação do solo e ao consequente rebaixamento da superfície.
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Segundo especialistas, o impacto já é visível em diversos pontos da cidade. Estruturas como o sistema de metrô, redes de drenagem e abastecimento de água têm sido diretamente afetadas. Monumentos históricos também apresentam sinais de inclinação, incluindo a Catedral Metropolitana e o tradicional Anjo da Independência.
De acordo com o geofísico Enrique Cabral, o fenômeno na capital mexicana está entre os mais intensos do mundo. Em algumas áreas, o acúmulo do afundamento já ultrapassa 12 metros ao longo do último século.
Além dos danos estruturais, o problema agrava desafios urbanos já existentes, como enchentes e falhas no sistema de escoamento de água. A deformação do solo compromete o funcionamento da infraestrutura e aumenta o risco de colapsos localizados.
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A tecnologia do NISAR também abre novas possibilidades de monitoramento. Cientistas acreditam que, no futuro, será possível acompanhar o comportamento de edifícios individualmente e prever áreas de maior risco, além de aplicar o sistema a outros fenômenos naturais, como terremotos e erupções vulcânicas.
Diante do avanço do problema, autoridades locais começam a investir em estudos mais detalhados e em estratégias de mitigação. Para especialistas, no entanto, o desafio é estrutural — e passa necessariamente por mudanças no uso da água e no planejamento urbano de longo prazo.
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