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quarta-feira, setembro 16, 2026

Inflação em março atinge 0,88% e Banco Central deve manter cautela

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Inflacionamento em marcha: petróleo e alimentos pressionam preços (Foto: Instagram)

A recente alta da inflação em março, anunciada nesta sexta-feira (10/4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acendeu um alerta nos mercados e deve fazer com que o Banco Central (BC) adote uma postura mais cautelosa em sua política monetária.

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Economistas e analistas financeiros consultados pela reportagem do Metrópoles nesta manhã, logo após a divulgação dos resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, compartilham dessa visão.

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O IBGE relatou uma inflação de 0,88% em março, uma aceleração em relação a fevereiro (0,77%). No acumulado de 12 meses até março, o IPCA subiu para 4,14%, comparado aos 3,81% de fevereiro.

Os resultados superaram as expectativas do mercado, que previa uma inflação de 0,77% mensal e 4% anual.

A meta de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, significando que a meta será cumprida se a inflação ficar entre 1,5% e 4,5%.

Em março, os grupos de transportes, incluindo combustíveis, e de alimentação e bebidas, foram os principais responsáveis pela alta, com aumentos de 1,64% e 1,56%, respectivamente.

Este foi o primeiro dado do IPCA a refletir os preços sob o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, afetando diretamente a cotação do petróleo.

O economista sênior do Banco Inter, André Valério, aponta que, apesar da alta, "o qualitativo do índice melhorou em todas as medidas relevantes". A média dos núcleos caiu de 0,62% em fevereiro para 0,44% em março, mantendo uma tendência de desaceleração no acumulado de 12 meses, que caiu para 4,39%, o menor valor desde dezembro de 2024.

Valério observa que a leitura de março foi amplamente impactada pelo conflito no Irã, especialmente no comportamento dos combustíveis. No entanto, a melhora qualitativa reafirma a tendência de moderação da inflação subjacente. Com o cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, a chance de uma contaminação do restante da inflação pelo choque do petróleo diminui.

Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, destaca que os juros futuros reagiram com alta imediata, refletindo a percepção de que o espaço para cortes rápidos de juros pode ser limitado. A pressão principal veio da gasolina, passagens aéreas e alimentação em casa, indicando que os efeitos da guerra no Oriente Médio já começam a impactar o consumidor brasileiro.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, reforça que os dados mostram que os efeitos do conflito no Oriente Médio, que afeta os preços do petróleo e fertilizantes, já aparecem na inflação brasileira. No curto prazo, as medidas do governo, como subsídios e redução de impostos, devem limitar os efeitos do petróleo, mas outros impactos podem surgir.

Gabriel Pestana, economista sênior da Genial Investimentos, observa que a surpresa altista foi significativa e reforçou uma leitura de piora tanto no quantitativo quanto no qualitativo da inflação. O diesel também foi destaque, com alta de 13,9% em março, apesar de seu baixo peso no índice.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, afirma que o choque de oferta do petróleo foi o principal responsável pela elevação acima do previsto. O IPCA de março reforça a necessidade do BC de manter cautela na calibração dos juros, tornando a decisão de um corte de 25 pontos-base mais apropriada.

Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, acredita que, apesar da alta, a inflação não preocupa tanto devido ao trabalho do BC. Mesmo com a guerra, a Selic deve cair lentamente devido ao cenário externo conturbado.

Maykon Douglas, economista ouvido pelo Metrópoles, diz que já sentimos os primeiros efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. Mesmo com um possível acordo de paz, o mercado de petróleo deve sofrer, pressionando os preços.

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