O governo de Cuba acusou os Estados Unidos de pressionar países da América Latina e do Caribe a encerrarem acordos de cooperação médica com a ilha, em uma tentativa de “sufocar” sua economia. A declaração foi feita pelo chanceler Bruno Rodríguez.
A crítica surge após a Comissão Interamericana de Direitos Humanos divulgar um relatório apontando possíveis violações de direitos humanos nas missões médicas cubanas no exterior. Entre os problemas citados estão retenção de salários, restrições de mobilidade e ameaças a profissionais que abandonam os programas.
Acordos em xeque
Nos últimos meses, países como Guatemala, Honduras, Jamaica e Guiana decidiram encerrar parcerias com Cuba, algumas mantidas por décadas. Esses acordos permitiam o envio de médicos cubanos para regiões com carência de profissionais de saúde.
Segundo Rodríguez, essas decisões seriam resultado de uma ofensiva diplomática de Washington. “O governo dos Estados Unidos está perseguindo, pressionando e extorquindo outros governos […] sob falsos pretextos”, afirmou.
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Debate sobre condições de trabalho
O relatório da CIDH apresenta uma visão crítica sobre o funcionamento das missões. De acordo com o órgão, há indícios de práticas que podem configurar trabalho forçado, incluindo o fato de os profissionais receberem apenas uma parte do valor pago pelos países contratantes.
Dados oficiais indicam que as missões médicas representam uma das principais fontes de receita de Cuba, tendo gerado bilhões de dólares nos últimos anos.
O presidente da Comissão, Edgar Stuardo Ralón, destacou que o documento reúne dezenas de depoimentos sobre jornadas extensas, remuneração considerada insuficiente e restrições à liberdade dos profissionais.
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Versões opostas
O governo cubano, por sua vez, defende que as brigadas médicas têm caráter voluntário e desempenham papel essencial em áreas com pouco acesso à saúde. Segundo Havana, os programas seguem normas internacionais e contribuem para o fortalecimento dos sistemas de saúde dos países parceiros.
O episódio expõe um novo capítulo nas tensões entre Cuba e Estados Unidos, com impactos diretos tanto na política externa quanto no funcionamento de programas de cooperação internacional em saúde.
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