
Analistas acompanham operações na mesa de trading do BTG Pactual (Foto: Instagram)
O BTG Pactual confirmou, por meio de um comunicado divulgado no início da noite desta quarta-feira (8/4), que assinou um acordo para adquirir o Digimais, um banco totalmente digital controlado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). Mais cedo, o Metrópoles já havia publicado a informação sobre a assinatura do acordo.
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Na nota, o BTG informa aos seus acionistas e ao mercado que "celebrou documentos vinculantes para aquisição do controle acionário do Banco Digimais S.A.".
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Segundo a instituição financeira, "a celebração dos documentos visa estabelecer um valor de referência e condições específicas para a venda total das ações do Banco Digimais e outros direitos correlatos em um processo competitivo que será lançado oportunamente, considerando também regras de suporte financeiro ao Banco Digimais".
No comunicado, o BTG Pactual também afirma que "a conclusão e fechamento da operação está condicionada à verificação de determinadas condições, incluindo (i) o lançamento do Processo Competitivo; (ii) a declaração do BTG Pactual como vencedor após o Processo Competitivo; e (iii) a obtenção de todas as aprovações regulatórias necessárias, inclusive do Banco Central do Brasil e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)".
FGC DEVE CONVOCAR LEILÃO PARA OUTROS INTERESSADOS
Conforme noticiado anteriormente pelo Metrópoles, o acordo para a aquisição do Digimais já foi firmado pelo BTG. Atualmente, há uma oferta inicial da instituição financeira pelo banco de Edir Macedo. A transação deverá ser facilitada por um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Criado em 1995, o FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que atua como um seguro, protegendo alguns tipos de investimentos e depósitos realizados em instituições financeiras. Além de proteger os clientes, o FGC também apoia os próprios bancos.
O fundo é composto por recursos depositados periodicamente pelas instituições financeiras associadas, entre as quais estão a Caixa Econômica Federal e bancos comerciais, de investimento e de desenvolvimento.
A assinatura do acordo para a compra do Digimais é um passo importante para o BTG, mas não garante, por si só, o desfecho da operação. Segundo fontes ouvidas pelo Metrópoles, o FGC deve convocar um leilão nos próximos meses para que outros possíveis interessados na aquisição do Digimais se manifestem.
Ainda de acordo com essas fontes, o acordo para a compra do Digimais pelo BTG já está sendo realizado com base nas novas regras do FGC, instituídas após o escândalo envolvendo o Banco Master, no final do ano passado.
NOVAS REGRAS DO FGC APÓS CASO MASTER
Em janeiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou mudanças no estatuto e no regulamento do FGC, por meio da Resolução n° 4.222. Uma das principais alterações está no artigo 7º do regulamento, que agora permite ao Conselho de Administração do FGC propor aumento ou redução das contribuições das instituições associadas sempre que necessário.
Para mitigar o impacto sobre a liquidez, o FGC poderá, segundo as novas regras, antecipar em até 5 anos as contribuições das instituições associadas e instituir cobranças extraordinárias. Outro ponto importante é o estabelecimento de um prazo máximo de 3 dias para o início do pagamento das garantias.
Ainda de acordo com as novas regras do FGC, o fundo deve convocar um leilão e permitir que outras ofertas sejam apresentadas. Mesmo com possíveis concorrentes, o Metrópoles apurou que o BTG é o principal candidato a comprar o Digimais, por já ter maior conhecimento sobre a operação e também por ter demonstrado maior interesse no negócio.
Na ocasião, por meio de nota, o FGC afirmou que as mudanças visavam alinhar o fundo às melhores práticas internacionais no setor financeiro. "As alterações permitem tornar o processo de pagamento de garantias mais rápido, previsível e alinhado às melhores práticas internacionais" e contribuem para "maior estabilidade e solidez do Sistema Financeiro Nacional", informou o fundo.
DIGIMAIS ENFRENTA GRAVE CRISE
Conforme noticiado pelo Metrópoles, o Digimais enfrenta uma grave crise financeira, com risco estrutural. A empresa está sob monitoramento do Banco Central (BC), a autoridade monetária do país, e chegou a apresentar um plano de reestruturação em 2025 para atrair possíveis compradores.
Entre as medidas do plano, estaria um aporte significativo de Edir Macedo. Até o momento, no entanto, a estratégia não teve avanços.
Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência do Digimais desde a pandemia de Covid-19, o que corroeu o patrimônio e exigiu aportes recorrentes para evitar a quebra do banco.
Em 2025, o investidor Mauricio Quadrado, ex-sócio do Banco Master, chegou a anunciar que havia fechado a compra do Digimais, mas o negócio não se concretizou.
Até agora, o Digimais não divulgou seus resultados referentes a 2025. De acordo com dados do BC, a instituição possuía, até setembro do ano passado, ativos que somavam R$ 9,297 bilhões e um patrimônio líquido de R$ 420 milhões.
Entre os ativos do banco digital, a carteira de crédito somava R$ 1,884 bilhão, e o portfólio de títulos e valores mobiliários, R$ 2,285 bilhões.
AS EMPRESAS
O Digimais é uma instituição financeira focada em crédito consignado e financiamento de veículos, que passou por diversas mudanças de controle – anteriormente conhecido como Banco Renner. Atualmente, o banco oferece conta digital, cartões e soluções de crédito.
O BTG Pactual, por outro lado, é considerado o maior banco de investimentos da América Latina, especializado em gestão de ativos, patrimônio e serviços financeiros corporativos. A instituição oferece conta PJ, crédito rápido, antecipação de recebíveis e investimentos, além de soluções tecnológicas para pequenas e médias empresas.



