O governo do Canadá convocou representantes da OpenAI para prestar esclarecimentos após a revelação de que o principal suspeito de um ataque em Tumbler Ridge utilizava o ChatGPT antes do crime. O episódio, ocorrido em fevereiro, é considerado um dos mais graves da história recente do país.
As autoridades identificaram Jesse Van Rootselaar, de 18 anos, como responsável pelo atentado que deixou oito mortos e 25 feridos na pequena cidade da Colúmbia Britânica. Segundo a polícia, o jovem teria tirado a própria vida após o ataque.
Conversas sob análise
Reportagens indicam que o suspeito manteve diálogos com o ChatGPT ao longo de vários dias, descrevendo cenários envolvendo violência armada. A conta foi sinalizada ainda em junho de 2025 por sistemas internos da empresa voltados à detecção de uso indevido.
Em nota, a OpenAI afirmou que avaliou a possibilidade de comunicar o caso às autoridades, mas concluiu que não havia uma ameaça “crível ou iminente” naquele momento. Posteriormente, o perfil foi banido da plataforma.
Fontes ouvidas pelo Wall Street Journal relataram que o conteúdo das conversas gerou debate interno entre funcionários da companhia, com parte da equipe defendendo o acionamento da polícia.
Reação do governo
A revelação provocou forte reação política em Ottawa. O ministro da Inteligência Artificial do Canadá, Evan Solomon, classificou as informações como “profundamente perturbadoras” e afirmou que a empresa pode não ter agido com a rapidez necessária.
Executivos da área de segurança da OpenAI viajaram ao Canadá para reuniões com autoridades federais. O governo pretende examinar os protocolos utilizados pela companhia para definir quando uma situação deve ser comunicada às forças de segurança.
“Nosso trabalho e nosso dever é garantir que os canadenses estejam protegidos”, declarou Solomon em coletiva.
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Debate regulatório
O caso ocorre em meio a discussões mais amplas sobre regulação de inteligência artificial, proteção de dados e prevenção de danos online. O governo canadense informou que está avaliando possíveis medidas legislativas e trabalha em conjunto com os ministérios da Justiça, Segurança Pública e Cultura, além das autoridades provinciais da Colúmbia Britânica.
A investigação busca esclarecer se houve falha nos mecanismos de monitoramento ou na avaliação de risco por parte da empresa. O episódio reacende o debate internacional sobre os limites de responsabilidade das plataformas de IA diante de potenciais ameaças reais.
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