O Reino Unido entrou para a história da medicina reprodutiva com o nascimento do primeiro bebê gerado a partir de um útero transplantado de uma doadora falecida. A mãe, Grace Bell, vive em Londres e nasceu sem o órgão — condição rara que impede a gestação natural.
O parto ocorreu após um processo longo e altamente coordenado que envolveu cirurgia complexa, fertilização in vitro e acompanhamento especializado. O bebê, chamado Hugo Richard Norman, simboliza um avanço considerado inédito no sistema de saúde britânico.
Uma condição rara e desafiadora
Estudos indicam que cerca de uma em cada cinco mil mulheres no Reino Unido nasce sem um útero viável — quadro conhecido como síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH). A ausência do órgão inviabiliza a gestação, limitando as alternativas à adoção ou à gestação por substituição.
O caso de Grace integra o programa INSITU, iniciativa que prevê a realização de novos transplantes com órgãos provenientes de doadoras falecidas.
++Casos de câncer de intestino avançam entre jovens e acendem alerta global
Cirurgia delicada e autorização especial
Diferentemente de transplantes consolidados, como os de rim ou coração, o transplante uterino ainda é considerado experimental. No sistema público britânico, o NHS exige consentimento específico da família da doadora para a retirada do útero.
A cirurgia, realizada em 2023, durou cerca de sete horas. Após a recuperação, Grace foi submetida à fertilização in vitro para possibilitar a gravidez. O acompanhamento incluiu controle rigoroso para evitar rejeição do órgão e garantir a evolução segura da gestação.
O parto ocorreu no Imperial College Healthcare NHS Trust, que participou do procedimento ao lado do Hospital Queen Charlotte’s and Chelsea.
Novo capítulo na medicina reprodutiva
Para a equipe médica, o nascimento representa a consolidação de mais de duas décadas de pesquisa. A cirurgiã Isabel Quiroga, uma das líderes do projeto, destacou que o resultado demonstra a viabilidade da técnica com doadoras falecidas, ampliando o acesso ao procedimento.
Embora ainda esteja em fase experimental, o sucesso do caso abre caminho para que o transplante de útero deixe de ser uma exceção e se torne uma alternativa estruturada dentro da medicina reprodutiva britânica.
Para mulheres que nasceram sem útero funcional, o marco representa não apenas um avanço científico, mas a possibilidade concreta de vivenciar a gestação e o parto com o próprio corpo.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



