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quarta-feira, setembro 16, 2026

Alterações na pele podem sinalizar problemas metabólicos ligados ao fígado

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A gordura no fígado, conhecida clinicamente como esteatose hepática, costuma avançar de forma silenciosa e, na maioria dos casos, é descoberta por acaso, durante exames de rotina. Ainda assim, médicos afirmam que o corpo pode emitir sinais indiretos de que algo não vai bem — e a pele está entre os primeiros locais onde essas alterações podem aparecer.

Segundo especialistas, essas manifestações cutâneas não indicam, por si só, a presença de gordura no fígado, mas podem revelar distúrbios metabólicos frequentemente associados ao problema, como a resistência à insulina.

O que a pele pode — e não pode — indicar

O endocrinologista Renato Zilli reforça que não existe um diagnóstico dermatológico da esteatose. “Não existe uma relação direta entre a pele e a gordura no fígado. A pele não diagnostica esteatose hepática”, afirma. De acordo com ele, o que ocorre é que algumas alterações visíveis refletem um metabolismo desregulado, condição que aumenta o risco de acúmulo de gordura no órgão.

Entre os sinais mais observados estão manchas escurecidas em áreas de dobra do corpo, como pescoço, axilas e virilha, além do surgimento de pequenos apêndices de pele, conhecidos como acrocórdons. Ambos são frequentemente associados à resistência à insulina.

++ Este é Bruce Lee fazendo flexão com apenas dois dedos

Quando o fígado já está mais comprometido

Outros sinais, como o amarelamento da pele e do branco dos olhos, conhecido como icterícia, costumam aparecer em fases mais avançadas de doenças hepáticas. O mesmo vale para a coceira persistente sem causa aparente, chamada de prurido hepático, que ocorre quando substâncias que deveriam ser eliminadas pelo fígado passam a se acumular no sangue.

O dermatologista Reinaldo Tovo, do Hospital Sírio-Libanês, explica que essas manifestações geralmente indicam um comprometimento mais significativo do órgão. “Nessas situações, o fígado não consegue metabolizar ou eliminar adequadamente a bilirrubina, que se acumula no organismo”, esclarece.

Como é feita a investigação médica

Diante da suspeita de gordura no fígado, a avaliação clínica costuma incluir exames de sangue para medir enzimas hepáticas, níveis de colesterol, triglicerídeos, glicemia, insulina e hemoglobina glicada. A ultrassonografia abdominal é apontada como um dos métodos mais simples e eficazes para identificar a presença de esteatose.

Em alguns casos, exames complementares, como a elastografia hepática, ajudam a verificar se há inflamação ou fibrose no fígado.

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Quem deve redobrar a atenção

Pessoas com sobrepeso, gordura abdominal, histórico familiar de diabetes, colesterol elevado ou pressão alta estão entre os grupos que merecem acompanhamento mais próximo, mesmo na ausência de sintomas. Ainda assim, especialistas alertam que indivíduos magros também podem desenvolver a condição, especialmente quando há resistência à insulina ou sedentarismo.

As alterações na pele, portanto, não fecham diagnóstico, mas funcionam como um aviso precoce de que o metabolismo pode estar em desequilíbrio. Reconhecer esses sinais e buscar avaliação médica é fundamental para evitar que uma doença silenciosa evolua para quadros mais graves.

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