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quarta-feira, setembro 16, 2026

Alemanha oferece 23 mil euros para voluntários viverem 100 dias em “estação espacial” simulada

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O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) abriu inscrições para um experimento inédito que promete reproduzir, com alto grau de rigor, a rotina de astronautas em missões de longa duração. Seis voluntários serão confinados por 100 dias em uma instalação que simula uma estação espacial, em Colônia, e receberão 23 mil euros — cerca de R$ 140 mil — se concluírem toda a experiência.

O estudo, batizado de SOLIS1000, é financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA) e busca compreender como o isolamento extremo, a ausência de estímulos naturais e a convivência intensa em espaços reduzidos interferem na saúde física, emocional e cognitiva de futuros astronautas. A pesquisa pretende abastecer a preparação para missões que ultrapassarão a órbita da Terra e mirarão destinos como a Lua e Marte.

“Estamos entrando na era das viagens prolongadas no espaço profundo. Compreender os efeitos psicológicos e fisiológicos do confinamento é essencial”, explica o comunicado oficial do projeto.

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Como funciona o confinamento

A experiência completa dura 126 dias:

  • 16 dias de preparação,

  • 100 dias de isolamento absoluto,

  • 7 dias de recuperação após o reingresso ao “ambiente terrestre”.

Dentro da instalação, os voluntários serão monitorados em tempo integral, com exceção das cabines de descanso e dos banheiros. A rotina reproduz o cotidiano de astronautas: pesquisa científica, atividades operacionais, exercícios físicos diários e pouquíssimas permissões extras — como apenas dois banhos por semana e a proibição de cochilos diurnos. Cada participante poderá levar no máximo 1,5 kg de itens pessoais.

Um teste preliminar já colocou cinco voluntários — três homens e duas mulheres — em uma versão reduzida da missão durante oito dias, sem contato com o mundo externo nem luz natural.

Quem pode participar

Para disputar uma das vagas, é preciso atender a uma lista rígida de requisitos:

  • Ter entre 25 e 55 anos;

  • Estar em excelente condição física e praticar exercícios regularmente;

  • Possuir formação universitária, preferencialmente em áreas técnicas, médicas ou de engenharia;

  • Falar inglês fluentemente, pois o estudo será conduzido nesse idioma;

  • Passar por avaliações físicas, psicológicas e médicas.

Candidatos de países fora da União Europeia também podem participar — inclusive brasileiros — desde que providenciem visto e seguro-viagem para o período de permanência na Alemanha.

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Outros experimentos: 60 dias deitado

O DLR também conduz outro estudo em parceria com a NASA para investigar por que astronautas perdem massa muscular, densidade óssea e equilíbrio após longos períodos sem gravidade. Nesse caso, os voluntários — que devem ser falantes de alemão — ficam 60 dias deitados em camas inclinadas, simulando o deslocamento de fluidos corporais para a cabeça, efeito típico do ambiente espacial.

O objetivo é desenvolver estratégias para minimizar danos sensório-motores em futuras missões interplanetárias.

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