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quinta-feira, setembro 17, 2026

Sobrevivente de queimaduras graves se torna bombeiro e passa a ajudar crianças vítimas do fogo

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J.R. McCarty, de Hawthorne, Nevada, tinha 6 anos quando sofreu um grave acidente doméstico em 1992 que provocou queimaduras severas por todo o corpo. Após 12 meses de internação, 58 cirurgias e inúmeros enxertos de pele, ele superou parte das consequências do acidente e, anos depois, se tornou bombeiro em Washington. Hoje, também dedica o tempo a apoiar crianças vítimas de queimaduras.

Após o acidente, McCarty foi levado ao Shriners Hospital, no Texas, onde permaneceu em coma induzido durante dois meses. A recuperação envolveu dezenas de procedimentos e um longo período hospitalizado. “Foi absolutamente aterrorizante. Eu não entendia nada, só sabia que quando via um médico, vinha dor”, relembrou.

O retorno à escola trouxe outro desafio. Aos 8 anos, McCarty passou a enfrentar bullying por causa das marcas deixadas pelas queimaduras. “Me chamavam de monstro, de Freddy Krueger. O que me manteve firme foi o amor da minha família, especialmente dos meus irmãos. Não sei o que teria feito sem eles”, contou.

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Durante a adolescência, ele também conviveu com inseguranças relacionadas ao acidente. “Depois do acidente, eu vivia em um estado constante de incerteza. Me diziam que eu era um risco e comecei a acreditar nisso”, afirmou.

Em 2011, McCarty decidiu tentar uma vaga no corpo de bombeiros de Washington. “Pensei que, se conseguisse ser bombeiro, provaria para mim e para o mundo que eu poderia fazer qualquer coisa”, disse.

O treinamento fez com que ele precisasse encarar novamente o fogo. Durante uma das atividades, as chamas despertaram lembranças do acidente. “Quando vi as chamas, senti como se tivesse 6 anos de novo. Fiquei paralisado. Mas foi ali que percebi: o fogo não controla minha vida. Por que deixar o medo controlar?”, recordou.

McCarty concluiu a formação em julho de 2012 e passou a trabalhar como bombeiro. Mesmo tendo perdido parte dos dedos e os polegares no acidente, aprendeu a adaptar os movimentos para vestir a farda e utilizar os equipamentos. “Estar em público com a farda sempre atraía olhares, uma mistura de surpresa e admiração”, contou.

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Dois anos depois, ele entrou no Camp Phoenix, da Burned Children Recovery Foundation, em Washington, onde passou a apoiar crianças sobreviventes de queimaduras graves. “O fogo roubou minha infância. Queria dar a essas crianças a chance de serem apenas crianças, nem que fosse por um tempo”, afirmou.

Atualmente, McCarty planeja criar uma fundação própria voltada ao suporte psicológico e social de sobreviventes de queimaduras. “Vai dar muito trabalho, mas poder ajudar quem sofreu como eu faz tudo valer a pena”, declarou.

Mesmo décadas depois do acidente, ele ainda convive com as cicatrizes deixadas pelas queimaduras. “Eu queria que as pessoas vissem além das marcas. Queria que vissem força. O acidente tirou muita coisa de mim, mas me deu a chance de mostrar que é possível recomeçar”, finalizou.

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