As produções brasileiras dominaram o streaming em 2025 com um tema que desperta igual fascínio e desconforto: o crime. Séries como Tremembé, do Prime Video, e Dias Perfeitos, do Globoplay, figuraram entre as mais assistidas do ano e reacenderam o interesse do público por histórias de criminosos — reais ou ficcionais.
O sucesso não é coincidência. Especialistas explicam que há uma curiosidade quase universal pelo comportamento criminoso. Entender o que leva alguém a cometer um delito, como reage diante da culpa e quais são as consequências dessas escolhas desperta um interesse humano e psicológico que ultrapassa fronteiras.
Além disso, o formato seriado é ideal para manter o espectador envolvido. A estrutura em episódios cria suspense, ritmo e um senso de continuidade que favorece o consumo em maratona. Mesmo quando o público já conhece o desfecho, o mistério passa a ser o porquê — e não o quem.
Pesquisas também indicam que as mulheres são mais atraídas por narrativas criminais do que os homens. Um estudo da Universidade de Illinois apontou que o público feminino tende a se interessar por histórias que mostrem como vítimas escapam ou como funcionam as mentes dos agressores.
Mas o que diferencia as produções nacionais das estrangeiras é o contexto cultural. Crimes retratados nos Estados Unidos, por exemplo, têm origens, investigações e punições que seguem lógicas diferentes da realidade brasileira. Já as séries locais abordam as nuances de um sistema judicial, social e midiático que o público reconhece.
Produções como Linha Direta e Vale o Escrito abriram caminho para essa abordagem realista. Já Tremembé explora o cotidiano da “prisão dos famosos”, revisitando casos como os de Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga e Lindemberg Alves — personagens que ganharam notoriedade não só pelos crimes, mas também pela intensa cobertura jornalística.
O apelo dessas histórias vai além da violência. Há o desejo de compreender o lado humano por trás do ato criminoso, algo que mistura repulsa, empatia e curiosidade. Como explica a psicologia criminal, o fascínio nasce da tentativa de entender o que nos separa — ou nos aproxima — dessas figuras.
Enquanto o crime continuar ocupando espaço nas manchetes e na imaginação coletiva, ele também continuará rendendo boas tramas para o audiovisual. No Brasil, onde realidade e ficção frequentemente se confundem, o gênero criminal segue não apenas como entretenimento, mas como um espelho das contradições do país.
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